
Três em Travessia: boa música e conversa ‘entre amigos’ marcam show de estreia do trio
Eram três musicistas cheios de talento no palco, mas a sensação era que havia mais deles. Desde a primeira canção, o palco foi preenchido com voz, notas, conversas e muita presença artística que ecoavam por todo o Teatro do Centro Cultural Justiça Federal (CCJF). O público sentia, o trio sentia. A troca e a leveza do momento eram genuínas. Foi assim o show de estreia, dia 13 de agosto, do Três em Travessia, composto por Gabriel Ruiz, no piano e voz; Rafael Meninão, na sanfona e voz; e Igor Souza, no violão de 7 cordas.
Com repertório que reúne músicas autorais, clássicos da MPB e do samba, o show mescla música e conversa: entre uma canção e outra, os três dividem histórias de viagens, bastidores com grandes artistas e aprendizados da estrada. A ideia, segundo eles, é transformar o palco em uma sala de estar, onde o público se sinta parte da roda. “'Três em Travessia' é um encontro…onde a gente navega nas águas das nossas influências, então tem muito samba, muito forró, choro, nossas próprias composições. É muito legal porque a gente consegue criar diálogo muito brasileiro, orgânico, natural, misturado com improvisação”, comenta Souza, sobre a concepção do novo projeto.
Junte-se a tudo isso, a harmonia de três lindos instrumentos musicais e uma voz potente: o violão de 7 cordas de Igor, com o som típico do samba; a sanfona de Meninão que parecia trazer uma orquestra inteira e o sertão junto; e o piano de Gabriel, que, com a voz única, incentivava a participação da plateia ao longo do espetáculo. Sobre a apresentação, Ruiz conta que os três saíram extremamente satisfeitos com o resultado. “Às vezes a gente sai do palco pensando ‘foi bom’, outras, a gente sai pensando ‘teve algo a desejar’, e tem aquelas vezes que saímos muito realizados, foi o caso desse espetáculo. Nós três saímos muito animados, foi a estreia do 'Três em Travessia' e nada melhor do que o palco do CCJF, um local que já fiz um show sozinho, de piano e voz, e lotei os 141 lugares, para mim foi marcante”, lembra o músico, que recebeu elogios do público que compareceu até muitos dias após o show.
Ele também reforça a importância do Rio de Janeiro oferecer lugares democráticos como o Centro Cultural em que há a oportunidade de preparar e enviar um projeto e, caso selecionado, contar com uma organização e auxílio profissional que faz o evento acontecer da melhor forma possível. “Existe um contrato, uma seriedade na marcação do show, um cuidado com o artista. Os técnicos da casa são muito bem preparados, a parte da segurança e dos bombeiros também. Nesse show teve Libras, muito importante a questão da acessibilidade…fiquei muito satisfeito”, frisou ao destacar a vontade de voltar a se apresentar no CCJF. Meninão também destacou a satisfação de realizar um show leve, divertido e prazeroso no Teatro do Centro Cultural. “(Ele) tem minhas influências nordestinas; (além de poder) tocar samba-enredo, Caetano…ter a oportunidade de cantar, o que não é muito ‘a minha praia’, mas o Gabriel Ruiz fica ali fortalecendo (essa prática). Então, estou muito feliz”, ressalta. Vida longa ao trio!