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Rios de Liberdade e Dar nome ao Futuro: exposições que revelam olhares artísticos sobre identidade, existência e reinvenção

Publicado em:
10/02/2026
A imagem mostra a galeria de exposições com piso de madeira, janelas amplas e iluminação direcionada. No centro do espaço, uma instalação artística composta por troncos e hastes verticais apoiadas sobre pedras ocupa a sala, criando um diálogo entre natureza e arquitetura. Obras bidimensionais nas paredes complementam a mostra, enquanto a disposição do ambiente reforça o caráter contemplativo e institucional do espaço expositivo.
Obras da exposição Dar Nome ao Futuro

São concepções criativas distintas, porém com algo em comum: o desejo de instigar, por meio da arte visual e senso estético, o olhar do público para reflexões em torno de identidade, reinvenção, criatividade e existência. Nas galerias do 1º andar do Centro Cultural Justiça Federal (CCJF) a mostra Rios de Liberdade, que finalizou em 8 de fevereiro e foi realizada pelo CCJF e pelo Consulado-Geral do Uruguai, convidou os visitantes a navegarem pelas águas simbólicas que conectam o Uruguai e o Brasil há séculos — não apenas em termos geográficos, mas também em seus movimentos culturais, políticos e humanos. A exposição, que abriu dia 10 de dezembro, comemorou os 200 anos da independência uruguaia e reuniu obras de 14 artistas — 7 uruguaios e 7 brasileiros — que utilizaram o acervo histórico do Centro de Fotografia de Montevidéu (CdF) como matéria-prima para reinterpretar a memória visual de um país em transformação. “A independência não é apenas lembrança, mas reinvenção — um rio que segue atravessando tempos e fronteiras”, ressalta Maurício Planel, artista visual curador da mostra.

Para Planel, a colagem revela identidades em movimento. “Somos feitos de fragmentos, de passados remontados e futuros possíveis”, frisa. Por sua natureza fragmentária, ela reflete o próprio processo de construção das identidades nacionais. Ao recortar e reorganizar imagens do passado, os artistas revelam o caráter múltiplo e em fluxo da liberdade — não como ponto fixo, mas como um rio que atravessa o tempo e as fronteiras. 

Em Rios de Liberdade, a independência não é apenas lembrança, mas reinvenção. A cada obra, o público foi convidado a refletir sobre o que significa ser livre, ser latino-americano, ser parte de uma história compartilhada entre margens. Segundo os organizadores, a exposição foi também um gesto diplomático e cultural: um tributo às relações históricas entre Brasil e Uruguai, à força das imagens e à capacidade da arte de construir pontes onde antes havia muros. 

Ao trazer pontos de observação sobre formas de existir e permanecer no mundo, a exposição Dar Nome ao Futuro, de Dani Cavalier e Nathalie Ventura, com curadoria de Ana Carla Soler, incentiva os visitantes a pensarem em questões levantadas na COP30, como aquecimento global, transição energética e justiça climática. As obras, cuidadosamente alocadas nas galerias do 2º andar do CCJF desde o dia 11 de dezembro, também instigam o pensamento de como criar um futuro comum para o planeta. Nathalie explica que em “Gesto de presença”, subtítulo de sua exposição, ela traz percepções sobre experiências que teve em lugares longe dos grandes centros urbanos, entre eles Chapada Diamantina, Amazônia e costa pacífica do México, colocando o próprio corpo e elementos da natureza, como a chuva, enquanto medida de relações entre seres humanos e o planeta. Já em “Gesto de permanência”, Dani reaproveita lycra de descartes da indústria têxtil para compor o que ela chama de suas pinturas sólidas. “São poéticas distintas mas que juntas buscam reescrever esse futuro”, resume. 

Na sala principal, a instalação “Reunião para decidir o futuro do planeta”, de Nathalie, distribui grandes cascos de Tucum lado a lado, “como se fossem eles os que tomassem as grandes decisões”, remetendo, propositalmente a COP30, que aconteceu no final de 2025, questionando “se nossas metas e acordos em grande eventos mundiais conseguem de fato ganhar concretude.” Segundo a artista visual, talvez a floresta esteja aí dizendo muito também sobre o que espera da população daqui para frente. Para ela, é uma grande oportunidade estar no CCJF, não só pela relevância da instituição no cenário artístico da cidade do Rio de Janeiro, como pelo valor emblemático de ter sido sede do Supremo Tribunal Federal (STF). “Ou seja, estamos de fato falando de um edifício que guarda a importância das tomadas de decisão na construção do nosso futuro.”

A mostra Dar Nome ao Futuro (que faz parte do Programa Clima de Mudança) fica exposta até dia 1º de março. Não perca!