
Para empoderar crianças, versão adaptada de A Bela Adormecida quebra preconceitos e incentiva o pertencimento no Teatro do CCJF
E se a princesa Bela Adormecida, do conto de fadas clássico dos Irmãos Grimm, fosse negra? A ideia de Leandro Santanna, diretor da peça adaptada A Bela Adormecida, surgiu a partir do esforço de empoderar crianças negras e, ao mesmo tempo, abordar a carência de representatividade da raça nos clássicos infantis e personagens do imaginário popular artístico. Com adaptação de Osmar Rezzende (colaboração de Tatiana Henrique), direção de Arte de Marcelo Viégas e grande elenco negro, o espetáculo, em cartaz no mês de agosto no Teatro do Centro Cultural Justiça Federal (CCJF), pode aguçar o imaginário, principalmente de meninas que, por vezes, nunca tiveram identificação com protagonistas dos clássicos contos de fadas, devido a diferença de características físicas. Trazer para a história infantil a importância da afrodescendência e da ancestralidade é manter viva a memória do povo brasileiro, tão miscigenado e plural.
Santanna conta que fazer a A Bela Adormecida no Centro do Rio era um desejo dele e de toda a equipe, que só foi possível colocar em prática “graças à facilidade de produzir em um equipamento com a organização e as acomodações do CCJF.” “Nossa peça convida o público a olhar o famoso clássico infantil sob a ótica das meninas que nunca se viam neste lugar de Belas, neste lugar de princesas”, ressalta o diretor.
Quanto a receptividade do público, ele destacou que os espectadores deram um retorno muito positivo por meio das redes sociais. Para a equipe, que levou para o coração da cidade do Rio de Janeiro uma produção da Baixada Fluminense, o resultado foi representativo. “Foi estimulante essa troca e a visibilidade do trabalho que desenvolvem em Queimados, desde 2003”, frisou Santanna. Sobre o enredo da peça, a história se passa em um reino africano e a protagonista é uma princesa negra, que é enfeitiçada por uma maléfica feiticeira ao espetar o dedo no espinho da folha de um dendezeiro (palmeira de origem africana) para cair em um sono profundo. A princesa fica desacordada até que um príncipe encantado a desperte com um beijo provindo de um amor verdadeiro. O tema, presente na infância de muitas crianças, ganhou uma roupagem de pertencimento, algo intenso e profundo, que quem teve a oportunidade de assistir, provavelmente não vai esquecer.