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O Teatro Fluminense e a permanente busca por visibilidade

Por Leandro Santanna | ator, produtor, atualmente integrante do Júri – Prêmio Shell de Teatro
Publicado em:
10/09/2026
Retrato de Leandro Santanna, sorrindo para a câmera, com camiseta em tom alaranjado, diante de fundo cinza-azulado.

"Hoje, esse movimento de inúmeras peças oriundas de companhias e grupos “lá de longe” é quase comum, e me sinto na obrigação de comemorar esta virada (...) pois não podemos permitir que algumas histórias se percam na poeira."

No ano de 2010, eu e um grupo de diretores, produtoras e artistas em geral, de diversos municípios da Baixada Fluminense, iniciamos um diálogo direto com a Secretaria Estadual de Cultura, aproveitando o fato de que naquele momento alguns de nós estávamos ocupando espaços de relativo “poder” na estrutura governamental da cultura em nossas cidades. 

Buscamos a SEC, para criar um caminho de visibilidade para coletivos, artistas e companhias do interior do Estado e da Baixada Fluminense. O vento era propício, existia interesse de aprofundar com seriedade a interface da criação artística entre a cena teatral carioca, já estabelecida, e a cena teatral da Baixada, também já estabelecida, porém não difundida, e até então ignorada por muitos cariocas. 

Como historicamente o conceito de se “levar arte” para algum local já vinha sendo questionado, passamos a listar publicamente, com uso das redes sociais, o nome dos coletivos e as cidades onde eles militavam e realizavam temporadas de suas peças há 5, 10, ou 15 anos. E, neste contexto, nasceu um programa de governo chamado Novas Cenas, que tempos depois, ganhou outros formatos, se dedicando unicamente ao Teatro, passando a incorporar estudantes de escolas de arte do Rio, homenagear autores específicos e premiar os projetos de montagens. 

Começamos ali a constituir com mais frequência temporadas de espetáculos do Teatro Fluminense na capital Carioca, e vários coletivos seguiram em frente, ganhando prêmios, ocupando cada vez mais espaços.  Chamo de Teatro Fluminense toda a cena teatral que acontece do Méier para cá, da Baixada Fluminense ao interior, passando pela Zona Oeste e Serrana, de Niterói a Costa Verde, tudo que é produção Não-Carioca, segue buscando e lutando por visibilidade. 

Territórios ditos periféricos, sem nenhum tipo de escola de capacitação formal de arte, seguem produzindo Teatro, montando e estreando temporadas de peças no terreno hostil da inexistência de equipamentos públicos de cultura. São regiões que “exportam” técnicos e artistas para que a roda do teatro da capital continue girando. O que mudou de lá pra cá? A mudança veio com a multiplicação considerável de grupos e artistas fazendo esse trabalho, e o aumento significativo de espaços e trocas efetivas de realização de temporadas como, por exemplo, a realização do espetáculo adaptado A Bela Adormecida no Centro Cultural da Justiça Federal (CCJF) durante o mês de agosto último. Hoje, esse movimento de inúmeras peças oriundas de companhias e grupos “lá de longe” é quase comum, e me sinto na obrigação de comemorar esta virada iniciada também pela Rede Baixada em Cena pois não podemos permitir que algumas histórias se percam na poeira.