
No Teatro do CCJF, recital levou o público a uma jornada musical da evolução da ópera
Na tarde de quarta-feira, dia 29, um vento forte e repentino mudou a rotina de quem mora (ou visitava) na cidade do Rio de Janeiro. Por conta disso, muitos locais ficaram sem luz, e consequentemente, sem transporte e internet. Mesmo com a situação inesperada, o Centro Cultural Justiça Federal (CCJF), que, felizmente, ficou apenas pouco tempo no escuro, conseguiu receber, no Teatro, os cantores líricos do Theatro Municipal que apresentaram ao público uma jornada musical através da evolução da ópera, interpretando árias dos períodos barroco, clássico e romântico. O concerto Cantando uma Breve História da Ópera encantou a plateia ao narrar a história da arte operística através de suas mais belas páginas — desde a grandiosidade barroca, passando pelo equilíbrio clássico de Mozart e seus contemporâneos, até a expansão emocional do romantismo.
Kamille Távora, mezzo-soprano e organizadora do evento, lembra que o dia da apresentação transbordou em um misto de sentimentos: a dúvida sobre a viabilidade da realização da ópera no CCJF e, ao mesmo tempo, o desejo de fazer dar certo, apesar das circunstâncias alheias a vontade de todos. “O recital foi uma experiência que vou guardar para sempre. Horas antes da apresentação, parecia que tudo conspirava contra nós: falta de luz, paralisação do metrô, ventania... Muitas pessoas não conseguiram chegar e, por alguns minutos, pensei que talvez o melhor fosse cancelar. Mas decidimos seguir em frente”, conta. Segundo ela, no fim, 26 pessoas estiveram presentes e fizeram tudo valer a pena. “Ver a emoção nos rostos, ouvir os depoimentos ao final e perceber que a música ainda tem o poder de tocar profundamente as pessoas me lembrou porque escolhi esse caminho”, frisa.
Os cantores líricos que integram Cantando uma Breve História da Ópera — Cíntia Fortunato, Katya Kazzaz, Gabriele de Paula (sopranos), Kamille Távora, Ilem Vargas (tenor), Erick Alves (tenor), Flávio Melo (barítono), Pedro Olivero (baixo), além de Regina Lacerda (piano) e Geórgia Szpilman (narradora) — fazem parte do Corpo Artístico do Theatro Municipal do Rio de Janeiro. Com diferentes tessituras vocais, o grupo oferece um panorama diversificado do repertório operístico através dos períodos barroco, clássico e romântico. Na apresentação, percebe-se que cada período musical — que traz no repertório Vivaldi, Mozart, Puccini, por exemplo, três dos maiores compositores da história da música clássica ocidental —, revela características únicas: o virtuosismo técnico barroco, a perfeição formal clássica e a potência dramática romântica.
Sobre a importância do CCJF oferecer espaço para música erudita e artistas independentes, a musicista ressalta que iniciativas como essa fortalecem a produção cultural, incentivam os artistas e tornam possível que mais pessoas tenham acesso à música, ao teatro e à arte. “Investir e manter espaços como esse é uma forma de garantir que a cultura continue viva e alcance cada vez mais pessoas” Ela completa: “Saio dessa noite com a certeza de como espaços culturais como o Centro Cultural Justiça Federal são fundamentais para a cena artística. Além de abrirem as portas para que projetos como esse aconteçam, oferecem uma estrutura que faz toda a diferença para quem está no palco”.
Mais do que um recital, Cantando uma Breve História da Ópera ofereceu ao público uma experiência educativa e emocional que celebrou a riqueza da tradição operística.