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No Cinelândia - Cinema na Rua de julho, Baby do Brasil conversa com o público sobre documentário que mergulha na metamorfose artística e espiritual da cantora

Publicado em:
12/08/2026
A imagem exibe a identidade visual do projeto Cinelândia – Cinema na Rua. O nome “Cinelândia” aparece em letras maiúsculas dentro de retângulos coloridos (amarelo, vermelho, verde, roxo, amarelo, azul e vermelho), com fundo preto para as letras. Abaixo, em letras pretas, está o subtítulo “Cinema na Rua”, sobre um fundo marrom claro.

A céu aberto, sob a luz da lua e das estrelas e com ocupação máxima, o projeto Cinelândia - Cinema na Rua, realizado pelo Centro Cultural Justiça Federal (CCJF), em parceria com a Banca do André e a ASPAC – Associação dos Servidores Públicos da ANCINE, exibiu na terça-feira, dia 28 de julho, na Rua Pedro Lessa, Centro do Rio, o documentário Apopcalipse segundo Baby. Gratuito e parte da programação do FID:RIO - Festival Internacional de Artes e Cinema do Rio de Janeiro, o filme percorre a trajetória da artista, desde a experiência pós-tropicalista com os Novos Baianos, passando pela carreira solo como Baby Consuelo, até a fase marcada pela espiritualidade e pela performance da “Janes Joplin latina”. “É um documentário incrível porque ele foi fidelíssimo à minha trajetória, desde quando eu fugi de casa, passando por toda a fase dos 'Novos Baianos' até os dias de hoje. Foram 18 anos me filmando. O que mais me tocou foi a sensibilidade do diretor de não alterar nada. Não tem ficção, é Baby purinha, é Baby sendo Baby”, disse a cantora.

Antes da sessão, os visitantes foram recebidos, no hall de entrada, pela artista Vivian La Vivi, que cantou sucessos da cantora Baby do Brasil. Ao final, ela e Baby, que havia acabado de chegar, fizeram um dueto de emocionar cantando Telúrica, um dos maiores sucessos da carreira solo da cantora, lançado no aclamado álbum de 1981, Canceriana Telúrica.

No hall do CCJF, Vivian la Vivi, Baby do Brasil e um guitarrista posam juntos após apresentação musical realizada antes da exibição do filme em homenagem à artista. Vivian segura um microfone, Baby aparece ao centro e o músico, à direita, segura uma guitarra. Os três sorriem para a câmera, tendo ao fundo as portas de madeira e o interior histórico do CCJF.
Vivian la Vivi e seu guitarrista e Baby cantaram juntos no hall do CCJF antes da exibição do filme em homenagem a artista 

Mais sobre o filme — Dirigido por Rafael Saar e sob a ótica da própria Baby, a história narra uma viagem em primeira pessoa pela trajetória da cantora desde os anos 1960. A partir da pluralidade transgressora da artista, o documentário caminha pela liberdade dos Novos Baianos — um dos grupos mais emblemáticos e revolucionários da MPB, formado em 1969 que, originalmente, incluía Moraes Moreira, Baby do Brasil (então Baby Consuelo), Pepeu Gomes, Luiz Galvão e Paulinho Boca de Cantor — ao brilho da carreira solo, do espírito hippie ao pop multicolorido, de Janis Joplin a Ademilde Fonseca. A trama também destaca a revelação da versatilidade rítmica e musical, e da ousadia de um ícone da contracultura brasileira. 

Na abertura do documentário, Baby do Brasil destacou a alegria em poder participar de um projeto como o Cinelândia Cinema na Rua, de incentivo ao cinema a céu aberto e popular. “Tenho um carinho especial por projetos assim, parabéns aos organizadores. Eu fiquei muito feliz, vim de SP para prestigiar, até sugeri que pudéssemos ter isso em outros lugares do Brasil inteiro de cinema ao ar livre e gratuito”, ressaltou.  Durante o filme, que soube retratar bem as nuances da carreira e vida da cantora, o público se emocionou, deu risadas e aplaudiu diversas cenas, uma delas foi quando Baby, no ínicio da carreira, cantou e dançou a música A menina dança (1972), de forma leve e, ainda assim, potente.

Logo após o documentário, a artista e o diretor, Saar, bateram um papo informal com o receptivo público presente sobre o documentário, vida e a carreira da artista que quebrou muitos padrões, à época, e revolucionou defendendo a contracultura — movimento de contestação aos valores morais, estéticos e políticos tradicionais, marcados especialmente pelo Movimento Tropicalista, pela MPB experimental e pelas artes visuais transgressoras que ganhou força nas décadas de 1960 e 1970. Entre os assuntos abordados, eles contaram um pouco sobre como foi o processo de produção — pesquisa, roteiro e filmagem — de Apopcalipse segundo Baby que durou 18 anos para ser finalizado. “Tivemos muita dificuldade para conseguir financiamento para a produção do filme. Em 2018, conseguimos esse patrocínio e depois entrou o Canal Brasil. Acho que a dificuldade de acesso aos recursos foi fundamental para que esse processo ser tão longo, é um obstáculo mas também um ponto forte pois serviu para construir uma relação de confiança com a Baby, eu e todos da equipe. Mantivemos a ideia firme de não desistir do processo, é um material muito rico, uma vida incrível e não podia decepcionar a confiança que ela tinha em nós”, explicou Saar. Baby concorda e avalia que isso foi uma das razões que fizeram com que o documentário superasse as expectativas. “Foi tudo no momento certo, na hora certa, no tempo certo de Deus e sem caretice, que é uma delícia”, frisou.

Grande público ocupa as cadeiras do Cinelândia Cinema na Rua, em sessão ao ar livre do documentário Apocalipse segundo Baby. Sob as árvores e a iluminação noturna, dezenas de pessoas acompanham a programação, distribuídas em várias fileiras que se estendem pela área externa do CCJF. Após a exibição, o público participou de um bate-papo com a cantora Baby e o diretor do documentário.
Público lotou a sessão do Cinelândia Cinema na Rua para assistir Apopcalipse segundo Baby e participou, após o filme, de bate papo com a cantora e diretor do documentário