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Literatura Negra ganha voz no CCJF durante o Mês da Consciência Negra

Publicado em:
10/12/2025
Fotografia de uma mesa no cinema do CCJF durante um debate sobre literatura negra. Quatro participantes estão sentados lado a lado, com livros expostos à frente. O telão atrás exibe o título do evento e elementos gráficos coloridos. A mesa é iluminada pela luz do projetor, enquanto o ambiente mantém a aparência típica de uma sala de cinema adaptada para palestras.
Na mesa, autores e autoras negras brasileiras comentam sobre como a literatura pode se transformar em ferramenta de combate à desigualdade racial 

O Centro Cultural Justiça Federal (CCJF) abriu suas portas, na tarde de 12 de novembro, para celebrar o Mês da Consciência Negra com o evento Literatura Negra – Escrevivências do Rio para o mundo, uma edição especial dedicada a destacar o protagonismo de autores e autoras negras do Rio de Janeiro. Realizado no cinema do CCJF, o encontro gratuito promoveu debates sobre a literatura como ferramenta de enfrentamento ao racismo e à desigualdade racial, reunindo escritoras premiadas e profissionais do universo editorial em um momento de valorização e amplificação das vozes negras na cena literária carioca.

Desde a apresentação inicial de Léa Carvalho, produtora cultural, o encontro assumiu um tom de diálogo e reflexão, marcado pela relevância das narrativas negras cariocas. Na primeira mesa, Vozes da Resistência, Aline Brito, Nilcéa Carvalho e J.Lo abordaram memórias e perspectivas, mostrando como a literatura é uma ferramenta de identidade e combate ao racismo. Logo depois, a mesa Letramento e Resistência reuniu Gisele Rose, Sabrina Guedes, Evelyn Alves e Jucilene Nogueira em um debate que ressaltou a urgência de práticas educativas antirracistas e da leitura de autores negros como um ato político, capaz de conscientizar a sociedade. 

A programação, organizada em torno das duas mesas principais, expôs essa urgência de repensar narrativas e ampliar referências. As discussões ressaltaram o papel da literatura negra na formação crítica e na reconstrução de identidades. Como destacou Léa Carvalho, a descolonização do pensamento e a promoção da identidade negra na educação e na cultura foram pontos centrais das mesas de debate. Para ela, a 1ª mesa lembrou que a literatura negra também devolve representatividade em áreas historicamente negadas, como a intelectualidade e os espaços de poder, enquanto a 2ª mesa reforçou que a leitura de autoras negras deve se tornar uma parte fundamental na educação para enfrentar o racismo estrutural.

A realização do evento também dialogou diretamente com a Mostra Cultural Consciência Negra no CCJF, da qual o encontro fez parte. “Ocupar um espaço que representa historicamente a justiça, ainda mais durante o Mês da Consciência Negra e no ano em que o Rio de Janeiro é a Capital Mundial do Livro permitiu dar mais visibilidade à produção literária negra de mulheres cariocas. Foi gratificante ver a interação direta entre o público e as autoras, criando um ambiente onde a literatura não foi apenas apresentada, mas vivenciada como um ato político e cultural”, disse Léa. 

Ao final no evento, o público também pôde acompanhar um sarau literário com autoras do projeto Literatura Negra nas Bibliotecas do Rio, momento de compartilhamento de poemas e histórias que reforçaram o protagonismo negro na cena cultural carioca. A tarde contou ainda com o lançamento do livro Do mundo que equilibro nas costas, da autora Jucilene Nogueira, completando a experiência. Assim, o Literatura Negra – Escrevivências do Rio para o mundo se destacou como mais do que um encontro literário: foi uma celebração da memória, da representatividade e da força da literatura negra no Rio de Janeiro.