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Literatura, informação e resistência no enfrentamento à violência de gênero

Publicado em:
10/09/2026
Roda de conversa no Cinema do CCJF. Cinco participantes estão sentados à mesa diante do público, com microfones e materiais à frente. À esquerda, uma intérprete de Libras acompanha o encontro em pé. Ao fundo, uma projeção exibe a identidade visual do evento. Na parte inferior da imagem, aparecem participantes da plateia sentados nas poltronas.

Como a literatura pode ajudar a romper silêncios? Essa foi uma das questões que deu sentido a roda de conversa Escritas de Subversão: Literatura e Informação no Combate à Violência de Gênero – O silenciamento da mulher na obra de Clarice Lispector, realizada no dia 14 de agosto, pelo Centro Cultural Justiça Federal (CCJF). O encontro reuniu literatura, informação e direitos humanos em uma discussão sobre as diferentes formas de violência contra as mulheres e os caminhos possíveis para enfrentá-las.

A obra de Clarice Lispector foi o ponto de partida para pensar como o silenciamento feminino aparece tanto na literatura quanto nas relações sociais. A partir de suas personagens e de suas narrativas, a conversa trouxe reflexões sobre o lugar ocupado pelas mulheres, as estruturas que contribuem para a manutenção do silêncio e a escrita como uma possibilidade de resistência.

O debate também passou por questões presentes no cotidiano de muitas mulheres: o medo, a culpa, a vergonha e a dificuldade de reconhecer ou denunciar situações de violência. Nesse contexto, a literatura aparece não apenas como forma de expressão, mas também como um espaço capaz de dar nome a experiências, provocar reflexões e criar novas possibilidades de diálogo.

Outro ponto central foi o papel da informação. Conhecer os próprios direitos e compreender as diferentes formas de violência pode ser fundamental para reconhecer situações de abuso e buscar caminhos para enfrentá-las. Além de transmitir conhecimento, o acesso à informação pode representar autonomia e proteção. Participaram da roda de conversa Anna Paula de Albuquerque Sales, Adriana Bodolay, Brisa Pozzi de Sousa, Luiz Fernando Braga e Michelle Barreto, trazendo diferentes experiências e perspectivas para a discussão.

Adriana Bodolay, professora e escritora, compartilhou sua trajetória e a relação entre sua escrita e a violência doméstica que vivenciou. Publicado sob o pseudônimo Anna Machado, o livro Meu divã transforma essa experiência em narrativa e amplia o espaço de diálogo sobre um tema que ainda é marcado pelo silêncio. “Essa foi a segunda vez que pude trazer minha escrita para ser compartilhada em um evento no CCJF. Assim como da primeira vez, tive a mesma sensação de poder contribuir com o meu texto e minha história de violência doméstica”, contou Adriana. 

Para ela, a importância desses encontros também está na possibilidade de aproximar a literatura de novos públicos. Ao abrir espaço para diferentes vozes e histórias, o CCJF contribui para que temas muitas vezes silenciados encontrem espaço para serem discutidos e compartilhados.

Escritas de Subversão: Literatura e Informação no Combate à Violência de Gênero mostrou que literatura e informação podem ir além da reflexão: podem ajudar a questionar estruturas, ampliar o conhecimento e criar espaços de escuta. Ao colocar essas diferentes perspectivas em diálogo, o encontro reforçou a importância da cultura como instrumento de conscientização e transformação social.