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Notícia

Com obras de Di Cavalcanti, Portinari, Tarsila e Mestre Guarany, CCJF e FUNARJ abrem exposição que celebra a rica identidade cultural brasileira

No ano do jubileu de prata do CCJF, a mostra provoca reflexões sobre o papel transformador da arte para ampliar percepções, transformar paradigmas e estabelecer novas conexões sociais
Publicado em:
07/07/2026
Sala expositiva com piso de madeira polida e paredes claras. Ao centro da parede principal há um grande painel pintado em tons de azul, retratando diversos indígenas em longas canoas sobre a água, alguns remando, sentados ou em pé com arcos e lanças. No primeiro plano, vê-se uma canoa de madeira real. À esquerda, remos e objetos indígenas estão expostos na parede. Portas e janelas de madeira escura emolduram o ambiente, iluminado por refletores no teto.
A grande obra Carybé ocupa toda a parede de uma das galerias do CCJF

No dia 7 de julho, na escadaria principal do Centro Cultural Justiça Federal (CCJF) — com a aprovação da Têmis, deusa da Justiça, reproduzida no enorme vitral ao fundo —, o grupo Madrigal do Vila, da Escola de Música Villa-Lobos, lindamente, dava as boas-vindas à nova exposição Coleção Ingá: Brasil plural, que ocupa todos os espaços expositivos do CCJF até o dia 27 de setembro. A mostra, de curadoria de Marcus Lontra e Rafael Peixoto, é o primeiro fruto da parceria entre o Centro Cultural e a Fundação Anita Mantuano de Artes do Estado do Rio de Janeiro (Funarj). Ela reúne uma seleção de cerca de 200 obras do acervo de mais de 10 mil itens do Museu do Ingá, em Niterói. São pinturas, esculturas, gravuras e objetos que passeiam por obras do século XIX e XX e incluem nomes fundamentais da arte brasileira, entre eles, Alfredo Volpi, Tarsila do Amaral, Oswaldo Goeldi, Emiliano Di Cavalcanti, Cândido Portinari, Emeric Marcier e Mestre Guarany que, juntos, representam a pluralidade da criatividade e diversidade da arte brasileira.

Ao abrir o evento, o desembargador federal Theophilo Antonio Miguel Filho, diretor-geral do CCJF, saudou a todos os presentes, entre eles o governador interino do estado do Rio de Janeiro, Ricardo Couto de Castro, e destacou o momento ímpar de celebrar a abertura de “uma exposição extraordinária”, com grandes nomes da arte brasileira. “É especialmente significativo celebrar o jubileu de prata do CCJF, um prédio que por décadas abrigou o Supremo Tribunal Federal, e que há 25 anos encontrou na cultura uma nova vocação, preservando sua história e ampliando o seu compromisso com a sociedade. E para coroar as bodas de prata dessa trajetória tão rica para as artes, temos a honra de acolher a Coleção Ingá. Trazê-la de Niterói para o coração da Cinelândia, promover o encontro profundo com a nossa própria identidade fluminense e brasileira”, destacou. Para ele, uma coleção como a do Museu Ingá não é feita de objetos estáticos, mas sim de histórias, “de memórias contadas e de um patrimônio que pertence a cada um de nós. Ver essas obras dialogando com a arquitetura deste edifício, com a história de um quarto de século do Centro Cultural Justiça Federal nos lembra que a arte preserva memória, aproxima pessoas, fortalece a cidadania e contribui para uma sociedade mais justa, democrática e inclusiva”.

Danielle Barros, secretária de Estado de Cultura e Economia Criativa do Rio de Janeiro, também celebrou a noite memorável para a cultura carioca. “Quando uma porta de cultura se abre, se abre um movimento muito importante como de democratização do acesso à arte, onde expomos o que temos de mais especial que é, de fato, a nossa identidade refletida em um acervo público do estado do Rio de Janeiro oferecido para toda a população”, comemorou. Para ela, ser recebida pelas carrancas do Mestre Guarany — expostas no hall de entrada do CCJF — trouxe a certeza de que o que será visto nas galerias será grandioso e ficará registrado nas memórias e corações dos visitantes. “O estado do Rio de Janeiro possui um acervo gigante e poucas vezes nós conseguimos demonstrar todo o potencial desse acervo como estamos fazendo aqui no Centro Cultural Justiça Federal. Então, de fato, para nós é um grande privilégio”, concluiu.

Jackson Emerick, presidente da Funarj, agradeceu a oportunidade de levar o acervo do Museu Ingá para além muros, uma alegria apesar dos desafios. “Era um desejo grande de nossos técnicos e museólogos que pudéssemos levar o nosso acervo para fora do equipamento, isso vinha sendo estudado. Por isso, quando recebemos a convocação foi um misto de receio, pela nova experiência, mas um grande desafio para a Fundação. Foi uma luta tirar isso do papel, houveram grandes desdobramentos para que pudéssemos estar aqui nesta noite. Fica aqui minha gratidão a todos os funcionários da Funarj, Dr. Theophilo, a equipe se uniu para tornar esse projeto tão especial”, disse.

Mais sobre a mostra — A rica seleção origina-se da reunião de obras de oito acervos de diferentes fontes e naturezas, dentre elas a antiga Coleção Banerj, e revela-se como uma importante ferramenta de conscientização das inúmeras matrizes culturais que compõem a identidade do Brasil. São artefatos dos povos originários, registros de artistas viajantes, experimentações modernas, expressões de matrizes populares, registros de sincretismos e resistências. A proposta do projeto é apresentar uma nova identidade para esse grande acervo. De acordo com os curadores, a mostra reforça ainda o entendimento do papel transformador da arte como ferramenta capaz de ampliar percepções, transformar paradigmas e estabelecer novas conexões entre os indivíduos e a sociedade. “Trata-se de um acervo valioso, patrimônio do povo fluminense, e a curadoria buscou uma abordagem temática valorizando diversas escolas, técnicas e períodos artísticos. Assim, arte clássica e arte moderna convivem e estabelecem diálogos curiosos e sensíveis entre tempos e olhares que acentuam a atemporalidade da ação artística”, destaca Lontra.

Sob a ótica da diversidade como inspiração principal, a Coleção Ingá: Brasil plural organiza-se por meio de seis núcleos que ocupam todos os andares abertos ao público do CCJF: O Convívio da Fé, Essa Gente Brasileira, Matriz Popular, Matriz Expandida, Imagens Cotidianas da História e A Paisagem através dos Tempos. Entre os destaques, estão as obras Brasil em 4 fases, de Di Cavalcanti, e o conjunto de quadros Embarcações com Índios, de Carybé. "Por ter sido formada ao longo de décadas, essa exposição reúne uma variedade de expressões e produções que nos inspiraram a fazer esse recorte curatorial que celebra a nossa pluralidade. No Brasil, muitas vezes, os acervos públicos ou em comodato em dispositivos culturais são tratados como uma pedra no sapato, quando na verdade eles representam não só um patrimônio do povo, mas também a possibilidade da população de ter acesso à arte, à cultura e ao pensamento brasileir”, pontua Peixoto. Para ele, reconhecer e tornar pública a relevância da Coleção Ingá, entre tantas outras, é também reafirmar a importância do papel transformador da arte em realidades, identidades, pertencimentos e no estímulo de práticas de cidadania.

A mostra Coleção Ingá: Brasil plural é gratuita e para todos. O CCJF funciona de terça e domingo, das 11h às 19h. Venha conferir!

Alt em construção
Nas escadarias do CCJF, de forma simbólica, autoridades e curadores desenlaçam a fita para abrir a nova exposição Coleção Ingá: Brasil plural