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Cinelândia - Cinema na Rua de agosto exibe “Papagaios” e promove debate sobre fama, visibilidade e pertencimento

Publicado em:
10/09/2026
A imagem exibe a identidade visual do projeto Cinelândia – Cinema na Rua. O nome “Cinelândia” aparece em letras maiúsculas dentro de retângulos coloridos (amarelo, vermelho, verde, roxo, amarelo, azul e vermelho), com fundo preto para as letras. Abaixo, em letras pretas, está o subtítulo “Cinema na Rua”, sobre um fundo marrom claro.

Em meio ao movimento do Centro do Rio, a rua Pedro Lessa se transformou mais uma vez em sala de cinema. Na terça-feira, dia 18 de agosto, o projeto Cinelândia - Cinema na Rua, realizado pelo Centro Cultural Justiça Federal (CCJF), em parceria com a Banca do André e a ASPAC – Associação dos Servidores Públicos da ANCINE, recebeu o público para mais uma sessão gratuita, dessa vez Papagaios (2025), primeiro longa-metragem dirigido e roteirizado por Douglas Soares. A exibição foi seguida de um debate com integrantes da equipe do filme, que discutiram temas como fama, visibilidade, desigualdade, pertencimento e as transformações provocadas pela internet. Com estreia no 53º Festival de Gramado, em que conquistou quatro prêmios Kikito, tais como Melhor Filme pelo júri popular, Melhor Ator para Gero Camilo, Melhor Direção de Arte e Melhor Desenho de Som, o filme chamou a atenção pela proposta de transformar figuras conhecidas da televisão em ponto de partida para uma reflexão sobre a sociedade contemporânea.

“Adoro os papagaios de pirata, sou muito fã deles, mas a minha proposta era fazer um filme de suspense baseado neles, inspirando e homenageando grandes figuras que a gente vê esbarrando na televisão”, contou Douglas Soares. Na trama, Tunico, interpretado por Gero Camilo, é um dos chamados “papagaios de pirata” do Rio de Janeiro – pessoas que buscam aparecer ao fundo de reportagens televisivas para conquistar visibilidade. Após um acidente, ele conhece Beto, personagem de Ruan Aguiar, um jovem misterioso que passa a ser seu aprendiz. A relação entre os dois coloca em questão os limites e as consequências da busca pela fama. 

Mais sobre o filme — Produzido pela Glaz Entretenimento e Meus Russos, Papagaios se passa em Curicica, bairro da Zona Oeste da cidade do Rio de Janeiro, e foge dos cartões-postais tradicionalmente associados ao Rio de Janeiro. A produção volta o seu olhar para o subúrbio e para personagens que vivem próximos à indústria audiovisual, criando uma narrativa de suspense psicológico que mistura ficção e elementos da realidade. Ao longo da história, a figura dos “papagaios de pirata” serve como ponto de partida para abordar questões como desigualdade e pertencimento. O filme também deixa espaço para diferentes interpretações, permitindo que o espectador encontre suas próprias respostas para as situações apresentadas.

Público assiste à exibição do filme Papagaios no Cinelândia Cinema na Rua. À noite, dezenas de pessoas estão sentadas em cadeiras diante de uma grande tela instalada ao ar livre. Árvores, grades e a iluminação azulada do entorno compõem o espaço da sessão.

Após a sessão, o diretor Douglas Soares, os atores Ruan Aguiar e Raul Franco e a assistente de direção Flávia Ferreira conversaram com o público presente sobre o processo de criação e os temas presentes na obra. Entre as discussões, Ruan Aguiar relacionou a figura dos antigos “papagaios de pirata” aos influenciadores digitais. “Quantas coisas a gente não passa ali no Instagram, na vida virtual. Vidas são ceifadas e a gente não está entendendo ainda o que está acontecendo e vai acompanhando, vai se interessando pela vida de outras pessoas. A gente não sabe porquê, nem como”, disse o ator. Se antes a televisão era um dos principais espaços para quem buscava alguns segundos de exposição, hoje as redes sociais ampliaram essa disputa por atenção.

A equipe também falou sobre a escolha de Curicica como cenário. Para Douglas, retratar essa região era uma maneira de apresentar um Rio de Janeiro diferente daquele visto com frequência no cinema. O diretor explicou que a proximidade com grandes estruturas da indústria audiovisual faz com que muitos profissionais circulem pela região, criando um ambiente em que personagens como os do filme passem a orbitar esse universo em busca de espaço.

O ator Raul Franco ressaltou que o longa não entrega respostas definitivas ao público. A estratégia aparece na escalação de figuras conhecidas, como o cantor Léo Jaime, cuja participação ajuda a estabelecer um contraste entre diferentes formas de acesso à fama. A proximidade com o período eleitoral também foi lembrada durante a conversa como uma oportunidade para pensar sobre quem recebe atenção, quem ganha espaço para se expressar e quais vozes acabam sendo escolhidas para representar a sociedade. 

É nesse lugar entre a fama, a realidade e o desejo de pertencer que Papagaios encontra a sua principal provocação e transforma uma história sobre “papagaios de pirata” em uma reflexão sobre a sociedade que vive, cada vez mais, em busca de um lugar diante das câmeras.

Parte da equipe do filme Papagaios posa reunida para uma fotografia. Seis pessoas aparecem lado a lado, sorrindo e abraçadas, em um ambiente externo durante a noite.
Parte da equipe do filme que conversou com o público sobre a produção e curiosidades de Papagaios