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Centro Cultural reúne escritoras para discutir os desafios da vida adulta a partir de obras escritas por mulheres

Publicado em:
13/10/2026
Grupo de 13 pessoas posa para uma foto em ambiente interno, diante de uma tela branca e uma parede revestida de madeira. Onze pessoas estão em pé e duas estão agachadas à frente. Vestem roupas casuais de diferentes cores e estilos, e várias usam óculos. Ao fundo, há caixas de som e mobiliário de madeira. A imagem registra um encontro coletivo em um espaço destinado a atividades culturais ou educativas.
Na Sala de Leitura do CCJF, escritoras e participantes da palestra 'Mulheres na escrita e saúde mental' refletem sobre a escrita como possibilidade de enfrentamento da saúde mental

A literatura tem sido cada vez mais um espaço para elaborar experiências difíceis, dar nome a sentimentos e abrir caminhos para conversas que nem sempre encontram espaço no cotidiano. A partir dessa perspectiva, o Centro Cultural Justiça Federal (CCJF) recebeu, no dia 19 de setembro, a palestra Mulheres na escrita e saúde mental, que reuniu as escritoras Beatriz Ras, Carolina Pessôa e Nicole Ayres para discutir como a literatura aborda diferentes experiências relacionadas à saúde mental. Além disso, a programação também propôs uma reflexão sobre a escrita como possibilidade de enfrentamento dessas questões.

Durante a palestra, Beatriz Ras apresentou obras que tratam da institucionalização e da desinstitucionalização, entre elas Reino dos bichos e animais é o meu nome (2001), de Stella do Patrocínio, e Os montes da Louca (1997), de Marisa Wagner. A escritora também falou sobre seu livro Nove Casas (2022), inspirado em sua experiência profissional com pessoas que passaram por longas internações psiquiátricas e foram encaminhadas para serviços residenciais terapêuticos.

Nicole Ayres levantou reflexões sobre  as obras Dez dias em um manicômio (1887), de Nellie Bly, Garota, interrompida (1993), de Susanna Kaysen, e Dançando na Varanda (2022), de sua autoria. A partir dos livros, foram discutidos temas como diagnósticos, tratamentos, traumas e recuperação em diferentes contextos históricos e sociais. Ao longo da apresentação, a atriz Katia Iunes também realizou a leitura de trechos das obras comentadas, recurso que, segundo Nicole, trouxe mais dinamismo ao encontro.

Já Carolina Pessôa abordou a relação entre saúde mental e transição para a vida adulta a partir de Por Lugares Incríveis (2015), de Jennifer Niven, e A Redoma de Vidro (1963), de Sylvia Plath. A discussão também dialogou com seu livro A Cápsula (2023), que acompanha uma personagem diante de situações de pressão, cobrança e burnout.

Após as apresentações, as escritoras participaram de um bate-papo com o público, que pôde comentar e aprofundar as questões discutidas ao longo do encontro. Para Carolina, a receptividade dos participantes mostrou o interesse pelo assunto. “Percebo que o tema sensibiliza bastante as pessoas e gera grande engajamento, sendo não somente um momento de aprendizado sobre o assunto, mas uma porta de entrada para a discussão e aprofundamento posterior no tema. Fico feliz por poder contribuir na vida de cada um deles e espero que multipliquem o conhecimento”, afirmou. 

Além de destacar a participação do público, Nicole ressaltou a importância de iniciativas que aproximam cultura, arte e temáticas relevantes para a sociedade. “É muito importante que haja espaços de cultura e arte como o CCJF, que oferece eventos gratuitos e acessíveis sobre temas relevantes, como a saúde mental e sua relação com a literatura”, frisou.

O encontro reforçou, assim, o papel de espaços culturais na promoção de debates sobre saúde mental, aproximando literatura, experiências e discussão coletiva sobre questões que atravessam diferentes momentos da vida.