Este cômodo, que um dia abrigou a Sala do Presidente do STF, é hoje ocupado pelo Centro de Memória Institucional do Tribunal Regional Federal da 2ª Região. Esse espaço, que fica ao lado Sala de Sessões, possuía uma entrada exterior independente. Essa passagem secreta permitia que o presidente acessasse sua sala e a Sala de Sessões de forma reservada. Contudo, em alguma reforma, essa entrada foi desativada e não foi possível restaurá-la.
O imponente vitral da antiga Sala do Presidente, criado por François Frank Urban e confeccionado pela Casa Conrado de São Paulo, é um espetáculo à parte. A obra de arte é rica em símbolos da República, reforçando os valores e a importância republicana do Poder Judiciário. No coração do vitral, destaca-se a figura icônica da Marianne: uma mulher de perfil, usando o famoso gorro frígio, aquele chapéu vermelho. Logo abaixo dela, encontramos os tradicionais símbolos da Justiça: a espada, a balança e um pergaminho com uma pena, representando as leis. Acima da Marianne, está o Brasão da República Brasileira. Para completar, Marianne é envolvida por elementos que representam duas das riquezas
do Brasil daquela época: à direita, um ramo de café, e, à esquerda, um ramo de tabaco.
Você sabia que a figura da Marianne nasceu durante a Revolução Francesa? Ela não é uma pessoa que existiu de verdade, mas sim uma representação simbólica dos ideais pelos quais a República Francesa se ergueu e pelos quais lutava: liberdade, igualdade e fraternidade. A ideia de usar uma figura feminina para personificar a República era bastante comum, inspirada nas alegorias clássicas da Grécia e Roma antigas. E o atributo mais famoso de Marianne é, sem dúvida, o gorro frígio. Este chapéu, que era usado por pessoas libertadas da escravidão na Roma Antiga, tornou-se um poderoso emblema de liberdade e emancipação durante a Revolução Francesa.