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otografia em preto e branco do centro do Rio de Janeiro no início dos anos 1900, mostrando a área onde hoje se localiza o final da Avenida Rio Branco. Em primeiro plano, há uma ampla via em processo de abertura, ainda sem pavimentação definida, com marcas no chão e poucas pessoas circulando. Prédios baixos e alinhados ocupam os dois lados da rua. Ao fundo, destaca-se a Baía de Guanabara e, bem ao centro da imagem, o Pão de Açúcar.
Arquivo de áudio

Imagine o Rio de Janeiro no começo dos anos 1900, onde hoje fica o Centro Cultural Justiça Federal e a Avenida Rio Branco. A situação da cidade era bastante precária: as ruas eram um emaranhado de vias estreitas e sinuosas, cheias de casas amontuadas sem nenhum planejamento. Não havia saneamento básico - as pessoas jogavam a água usada direto na rua pela janela. Para piorar, a iluminação era péssima e os animais andavam soltos, muitas vezes sendo abatidos ali mesmo no meio da rua. Não é a toa que a cidade era conhecida como a capital fedorenta. Era um verdadeiro foco de doenças, pragas e epidemias.

Foi nesse contexto que em 1902, o então presidente Rodrigues Alves, nomeou prefeito do Rio de Janeiro, o engenheiro Francisco Pereira Passos, para a ambiciosa missão de reformar a cidade. Com plenos poderes para desalojar e demolir, o plano de Pereira Passos era modernizar o Rio de Janeiro, seguindo o modelo da reforma urbana de Paris, que havia ocorrido entre 1853 e 1870. Pereira Passos, que estudou na capital francesa, testemunhou a transformação da cidade e aplicou soluções semelhantes na reforma urbana do Rio de Janeiro.

Você sabia que antes da monumental reforma urbana de Paris, a capital francesa era predominantemente medieval, e enfrentava sérios problemas de insalubridade, desorganização e crise sociais? A reforma que serviu de inspiração a reforma urbana do Rio de Janeiro foi um extenso programa de obras públicas, liderado pelo Barão Haussmann, a pedido do Imperador Napoleão III. O objetivo era modernizar e sanear, transformando Paris em uma metrópole com ruas largas e arborizadas, parques, sistema de esgosto subterrâneo, e infraestrutura de água potável. Embora Paris tenha se tornado uma cidade mais higiênica e grandiosa, a reforma também teve consequências negativas, como a demolição de bairros inteiros, e o deslocamento de milhares de famílias de baixa renda para as periferias. e ainda serviu como uma forma de controle social, já que as ruas largas dificultavam a criação de barricadas em eventuais revoltas populares.