O Centro Cultural Justiça Federal participa da 24ª Semana Nacional de Museus, promovida pelo Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), entre os dias 18 e 24 de maio de 2026, com duas exposições que tensionam questões centrais do tema desta edição, Museus Unindo um Mundo Dividido.
Em um contexto atravessado por disputas de narrativas, negacionismos, desigualdades e apagamentos históricos, o CCJF reafirma seu compromisso como espaço de encontro e circulação de múltiplas experiências sociais e estéticas. As exposições Morro pela Boca, Vivo pelos Olhos e Falso Brilhante, abertas ao público a partir de 20 de maio, propõem diferentes aproximações sobre identidade, imagem, pertencimento e construção de subjetividades na contemporaneidade.
Na Galeria do 2º andar, a mostra coletiva Morro pela Boca, Vivo pelos Olhos, com curadoria de Juan Santoli, reúne obras de Breno de Sant’ana, Danilo Howat, Hansen, Luiz Sisinno, Marcus Lemos, Saulo Martins, Sema e Vix Palhano. A exposição articula uma reflexão sobre a produção artística no contexto da história da arte brasileira queer, abordando temas como solidão, desejo, incerteza, paixão e transformação de si. As obras apresentadas entendem a arte como exercício de invenção da própria vida, afirmando existências e experiências historicamente atravessadas por silenciamentos.
Já na Galeria do 1º andar, a exposição Falso Brilhante, de Wilson Piran, com curadoria de Marcus Lontra e Rafael Peixoto, revisita a trajetória do artista a partir de sua relação com a cultura visual contemporânea. Dialogando com a pop arte e com os debates da chamada Geração 80, a mostra discute o excesso de imagens na sociedade atual e seus impactos na formação de discursos, identidades e imaginários coletivos. Ao utilizar a purpurina como elemento recorrente, Piran aproxima sua produção tanto das festas populares brasileiras quanto de dimensões estéticas ligadas às questões de gênero e às expressões da arte queer contemporânea.
Ao integrar a programação da Semana Nacional de Museus, o CCJF propõe ao público um espaço de convivência entre diferentes perspectivas e formas de existência, compreendendo a cultura como ferramenta de escuta e ampliação do debate público. Além de preservar memórias, as exposições convidam à reflexão sobre quem tem direito à representação, quais histórias são legitimadas e de que maneira a arte pode contribuir para construir vínculos em uma sociedade tão fragmentada.
