Diogo Bogéa
convida
Nelma Medeiros
Iago Ribeiro
Gratuito
Sinopse
Na sexta edição do evento Disseminário: Desconstrução, Psicanálise e Literatura, o escritor e professor da UERJ Diogo Bogéa recebe os psicanalistas Nelma Medeiros e Iago Ribeiro para a palestra “A literatura heterofágica do Brasil”.
Em se tratando de Inconsciente, é o artista que dá a dica. Assim Freud reconheceu e a Nova Psicanálise de MD Magno apostou. Com um acréscimo: o Brasil é terra rara e progressiva de captura e transmissão do movimento criador do Inconsciente em um processo onde literatura e psicanálise se conectam e se esclarecem mutuamente.
Dois exemplos: Hilda Hilst e Oswald de Andrade. Aparentemente distantes, conforme a crítica sapiente: um, modernista de raiz; a outra, elemento estranho no segundo modernismo. Que nada. Ambos pró-modernos, conforme a visada da Nova Psicanálise. Ambos futurando uma Nova Mente a partir do Impossível Absoluto desejado, de onde brotaram uma mística-pornográfica “das coisas do Alto”, revirando em vontade de gozo com a “bandalheira”; e o tesão “antropofágico”, como nomeou o poeta, com seu apetite de tal modo aberto a qualquer diferença que se pode muito bem redizer “heterofágico”.
E isso a partir do Brasil. Já se disse que o ganho maior do modernismo dos anos 1920 foi a instalação de um espírito de pesquisa permanente, uma atualização da inteligência brasileira e sua afirmação enquanto lugar de criação. Sintetiza-se assim: o Brasil é sintoma nosso, faturemos. Foi o que fizeram Oswald e Hilda. Nesse rastro, longe de um fechamento em particularismos, identidades, culturas, a Nova Psicanálise permite pensar o que o caso brasileiro tem a dizer sobre o funcionamento genérico do Inconsciente, ao mesmo tempo em que destaca as especificidades desse modo singular de expressá-lo.
Encontra-se por aí o trânsito fluido entre a alta especulação e o cômico da sacanagem – ou entre a alta sacanagem e o cômico da especulação? – que caracteriza um certo fio da produção brasileira, o qual encontrou muito mais caminho pelas artes, e pela literatura em especial, do que por qualquer via acadêmica ou filosofante. Oswald, já em seus últimos anos, reconheceria uma muito jovem Hilda como legítima continuadora desse espírito. A psicanálise o seguiria, com MD Magno. O caldo que daí resulta na provocação de uma questão: o que essa transa entre pensadores da psicanálise e da literatura no Brasil nos oferece como ferramenta de navegação?
Programação
- O artista sabe primeiro: Inconsciente e literatura
- Oswald e Hilda: tesão e devoração
- O Brasil é sintoma nosso — faturemos
- Psicanálise e literatura: o que essa transa oferece
Minibiografia
Nelma Medeiros é psicanalista. Formação em psicanálise pela NovaMente/UD. Co-autora, com MD Magno, do livro Razão de um Percurso (2015). Colaboradora no livro A ver novamente: vol. 1, a re-evolução da psicanálise (2026), de Oscar Alheiros. Professora associada da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro.
Iago Ribeiro é pesquisador, poeta e psicanalista. Formação em psicanálise pela NovaMente/UD. Doutorando em Filosofia na PUC-Rio. Autor dos livros de poemas O Quarto Chinês (2023) e Auto da partida permanente quando da ocasião de um qualquer aquiagora (2024). Colaborador no livro A ver novamente: vol. 1, a re-evolução da psicanálise (2026), de Oscar Alheiros.
Diogo Bogéa é professor de Filosofia e Psicanálise na Faculdade de Educação da UERJ. Professor-pesquisador do programa de Pós-Graduação em Educação da UERJ. Escritor autor dos livros Inteligência Artificial e Filosofia – dilemas de um futuro incerto, O mito da razão e os pensadores do desejo e do best-seller Psicologia do Bolsonarismo. Coordenador do grupo Pensadores do Desejo e das Redes.
Realização
UERJ: PENDERE – Pensadores do Desejo e das Redes, grupo de pesquisa e extensão da UERJ; ProPEd: Programa de Pós-Graduação em Educação da UERJ.