
Em maio, projeto 'Cinelândia – Cinema na Rua' exibiu duas sessões gratuitas: Kasa Branca e Desapega!
Em maio, o Cinelândia - Cinema na Rua, realizado pelo Centro Cultural Justiça Federal (CCJF), em parceria com a Banca do André e a ASPAC – Associação dos Servidores Públicos da ANCINE, seguiu a todo vapor, oferecendo duas exibições de filme ao ar livre e gratuitas na Rua Pedro Lessa, na Cinelândia. À luz da lua, o projeto exibiu, no dia 12 de maio, o longa-metragem Kasa Branca, dirigido por Luciano Vidigal e disponibilizado pela produtora Vitrine Filmes. Já no dia 26 deste mês, foi a vez do filme Desapega!, protagonizado pelas atrizes Glória Pires e Maisa, com direção de Hsu Chien, tailandês já veterano em comédias brasileiras. A trama foi disponibilizada pela WMix Distribuidora; as produtoras são Telecine e Audaz Filmes.
Inspirado em histórias reais, o sensível Kasa Branca apresenta a relação de cuidado e amor entre Dé (Big Jaum) e sua avó Dona Almerinda. Sem nenhuma estrutura familiar e morando na periferia do Rio de Janeiro, o rapaz é o único encarregado de cuidar da idosa, que vive com Alzheimer. Vivendo sob o peso dos aluguéis atrasados e do preço dos medicamentos da avó, um dia, Dé recebe a triste notícia de que ela está em fase terminal da doença. O jovem, então, decide aproveitar os últimos dias da vida dela junto com os seus dois melhores amigos, Adrianim (Diego Francisco) e Martins (Ramon Francisco). Após a sessão, com um público participativo e emocionado com a história, os atores Big Jaum e Ramon Francisco, presentes na ocasião, falaram sobre como foi participar do longa-metragem, além de responder algumas perguntas dos espectadores. “Nunca me imaginei como protagonista de um filme, pelos motivos óbvios…quantas novelas ou filmes vocês viram alguém como eu como protagonista? Então, a gente tem que escrever, produzir, se movimentar em todas as frentes. Vi uma entrevista do Lázaro Ramos, recentemente. Ele disse que hoje não aceita qualquer trabalho, ele escolhe, produz os próprios projetos. Daí a gente muda a narrativa…queremos justamente subverter. E esse filme, apesar de não se distanciar da realidade, trazemos o que acontece na Baixada…esse isolamento, desamparo, mas subvertemos a relação de homens negros. Mostramos que eles se cuidam, são amigos, se amparam e estão juntos lado a lado. Foi um filme que não perdeu a seriedade mas também não perdeu a leveza e eu me orgulho muito disso”, ressaltou Big Jaum.
Ao responder a pergunta de um dos espectadores sobre uma das cenas finais do filme — que se passa no velório da avó de Dé — na qual o protagonista pede para que um amigo, de origem africana, declare algumas palavras de fé, substituindo a oração do padre/pastor, Ramon explica que o personagem em questão veio de Guiné-Bissau e frisa a importância de ressignificar certos padrões: a ideia foi “sair desse lugar padrão cristão formal e ressignificar com conhecimento, trazer um pertencimento maior. A cena reforça o que já trata o filme, ou seja, reformular estereótipos, sem os lugares clichês que o corpo preto é colocado. Então, mais uma vez é tentar ser subversivo dentro de um lugar comum. E o Iorubá (sistema de crenças e filosofia de vida originário da África Ocidental) também traz essa geopolítica afrocentrada para a gente”, conclui.
Aproveitando o Mês das Mães, o Cinelândia - Cinema na Rua prestou uma homenagem a elas exibindo o longa Desapega! que conta a história de Rita (Glória Pires), uma bem-sucedida organizadora pessoal que controla seu vício de acumuladora há anos e, por isso, foi convidada para liderar um grupo de apoio de compradores compulsivos. Tudo muda depois que sua filha Duda (Maísa) consegue uma bolsa de estudos para cursar fotografia em Chicago (EUA) e precisa, então, sair de casa e trilhar seu caminho sozinha. O fato ativa um gatilho na mãe e faz com que ela volte a ser uma compradora compulsiva. Como superar o antigo vício longe da filha? A sessão também contou com um convidado especial, o diretor Hsu Chien. Ele agradeceu a presença de todos e se mostrou feliz pelo filme ter sido escolhido para ser exibido no Cinelândia - Cinema na Rua. “O filme foi gravado durante a pandemia e uma coisa que eu falei com o elenco foi: estamos vivendo tempos difíceis…lembro que não conseguíamos nem ver o sorriso no rosto das pessoas por conta das máscaras. Vamos fazer essa comédia para celebrarmos a vida para, no futuro, a gente pensar e falar ‘que bom que fizemos esse filme que pode alegrar um pouco a todos que assistem’”, contou.
E não demora até a próxima sessão. Este mês tem mais! Só trazer a pipoca e chegar. Mais informações no site do CCJF, clique aqui.