2 a 30 jun 2026*
ter e qua 19h
*no dia 24 não haverá espetáculo
R$40 (meia R$20)

debate
após as sessões
das terças-feiras
Sinopse
Ao colocar padre Cícero diante da Morte, o espetáculo tem como proposta principal, fazer uma retrospectiva poética de sua vida, suscitando reflexões sobre o entrelaçamento da igreja e da política na sociedade contemporânea.
O espetáculo traz a humana complexidade desse mito que paira soberano, enquanto luta para não morrer. Discute-se o conceito de ancestralidade ao fazer Cícero passear pela pré-história do Cariri, no qual seu corpo é tomado por entidades, animais e acidentes geográficos.
Antevê ainda conflitos na cidade que um dia ajudou a fundar. Suas memórias sugerem um ajuste de contas consigo, com os outros e com Deus. Com a Beata Maria do Araújo que sangrou a hóstia, trata-se da questão do rebaixamento da figura feminina em função de sua negritude e pobreza, diante da supremacia masculina da igreja.
Critica-se ainda a cultura machista que pontua a narrativa assim como o preconceito do etarismo ao valorizar o poder e o saber do velho na figura de Cícero. Valendo-se de referências do teatro oriental, em consonância com o pensamento de Antonin Artaud, principal referência de pesquisa de linguagem, e privilegiando a figura do ator, o espetáculo utiliza-se da fisicalidade do BUTOH, uma espécie de teatro-dança japonês, assim como de conceitos extraídos do Livro Tibetano dos Mortos, ambos tendo no estudo da Morte sua fonte de investigação artística e espiritual.
O Cariri no Ceará é uma região rica de lendas, mitos, sagas familiares e, acima de tudo, de uma religiosidade singular, devido ao fato de ali ter nascido e vivido a figura emblemática do padre Cícero. Ali, por meio de festivais e comemorações diversas, há um notável encontro da tradição e do contemporâneo.
É nesse universo poético como os versos cantados de um repentista, que Padim será desconstruído, a partir da uma evocação de um homem cheio de contradições, por trás da aparente impavidez do mito.
Nessa atmosfera de realismo fantástico, o espectador tomará contato com a memória desse pedaço do Brasil, assim como com a trajetória de Cícero, tirando suas próprias conclusões e permitindo-se uma reflexão acerca de sua própria experiência religiosa e política.
Ficha técnica
Texto e atuação: Samir Murad
Direção: Daniel Dias da Silva
Cenário e figurino: Karlla de Luca
Trilha sonora: André Poyart e Samir Murad
Desenho de luz: Wallace Furtado - Russinho
Programação visual: Fernando Alax
Produção executiva: Wagner Uchoa
Operação de luz: Chico Hashi
Realização: Cia.Cambaleei, mas não caí...