
Do teatro ao saguão: CCJF promove encontros com a música brasileira
Em março, o teatro e o saguão do Centro Cultural Justiça Federal (CCJF) receberam duas apresentações musicais que reforçam a diversidade de sua programação cultural. No dia 5, o espetáculo Pena Que Voa – Tributo a Anastácia, Rainha do Forró, integrante da Mostra Mulheres em Cena 2026, ocupou o Teatro com um repertório dedicado à obra da compositora e cantora Anastácia. Já no dia 19, o projeto Música no Saguão – Série Vitrine Musical UNIRIO levou ao hall de entrada o concerto gratuito do quinteto de metais Urca Brass. Com propostas distintas, os eventos reuniram músicos ligados ao cenário artístico carioca e convergiram no mesmo objetivo: aproximar o público da música brasileira por meio de experiências acessíveis e sensíveis.
No palco do teatro, o grupo Pena Que Voa, iniciou sua apresentação com fortes aplausos, construindo imediatamente uma conexão com o público. A proposta do espetáculo foi além da música, trazendo também muitos ensinamentos ao apresentar a trajetória de Anastácia — artista conhecida por suas composições, mas nem sempre reconhecida por sua história. A cada canção, o grupo misturava momentos sensíveis com momentos ritmados, mantendo as características do forró. Renata Chiquetto, uma das integrantes do grupo (voz e triângulo), explica que o Pena Que Voa é um projeto que nasce da profunda admiração pela compositora Anastácia. “Ainda que seja um grande nome do forró, uma artista extremamente renomada e importante, percebemos que em muitos núcleos há pessoas que não a conhecem, apesar de saberem de cor algumas de suas canções. Ela segue hoje com todo o vigor de seus 85 anos compondo, cantando, produzindo muita música, e pensamos que se pudermos contribuir para que cada vez mais pessoas a acompanhem e prestigiem, teremos alcançado nosso objetivo!”, ressalta ao completar que o grupo busca colocar sempre identidade e originalidade nos arranjos e nas roupagens das canções.
A dinâmica entre os instrumentos também se destacou: a abertura contou com as notas da flauta transversal, seguida pelo protagonismo da sanfona. Ao longo de toda a apresentação, se pode perceber a qualidade musical de cada integrante do grupo. As variações de volume e arranjos despertavam a atenção da plateia, enquanto as pausas entre as músicas criavam espaço para contextualizações sobre a obra de Anastácia. “Termos tido a oportunidade de apresentar nosso show no CCJF foi uma alegria enorme, pois é um local muito relevante culturalmente no Rio de Janeiro, que acompanhamos e respeitamos imensamente. Ficamos extremamente felizes com o acolhimento da casa ao nosso projeto e esperamos voltar mais vezes!", torce a musicista.
No hall do Centro Cultural Justiça Federal (CCJF), o concerto do Urca Brass trouxe a música de câmara para um ambiente de circulação, criando uma experiência mais aberta e inserida no cotidiano do Centro Cultural. A apresentação, no dia 19, encantou não apenas o público que já acompanhava a programação, mas visitantes que, ao entrarem no local, eram naturalmente convidados a permanecer e prestigiar o show. Com uma formação clássica de quinteto de metais, o grupo apresentou um repertório que transitou por diferentes vertentes da música brasileira. Ao longo do concerto, pequenas pausas foram utilizadas para apresentar e contextualizar as obras, tornando a escuta mais próxima e acessível. Essa mediação, junto à qualidade técnica dos músicos, contribuiu para um ambiente acolhedor, em que o público pôde se envolver com a apresentação. "Foi uma grande satisfação começarmos a temporada da série com o Urca Brass. Eles tocaram de maneira sublime! A novidade de realizarmos a apresentação no saguão do CCJF foi muito bem recebida pelo público, que compareceu e prestigiou em quantidade considerável. Acabou sendo um pré happy-hour ali mesmo para o pessoal que estava saindo de seus locais de trabalho. Um bom momento de encontro pessoal e encontro com as artes", destacou Sérgio Azra, um dos responsáveis pelo Música no Saguão - Série Vitrine Musical UNIRIO – Urca Brass.
Mesmo com formatos e propostas diferentes, os dois eventos se aproximam por destacar o papel do CCJF como um espaço de encontro entre público, artistas e diferentes expressões da música brasileira. Seja no teatro, com um espetáculo que resgata e valoriza a trajetória de Anastácia, seja no saguão, com um concerto que convida o público a vivenciar a música de câmara de forma mais espontânea, as apresentações reforçam o compromisso do CCJF em promover experiências culturais diversas, acessíveis e conectadas com a cidade.