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CCJF recebe Festival Raízes e celebra culturas ancestrais em programação gratuita

Publicado em:
10/02/2026
A imagem mostra uma mulher posicionada no centro de uma escadaria de mármore, segurando um grande tecido branco ilustrado com uma figura simbólica em tons de vermelho e a palavra “Justiça” escrita nas laterais. Ela veste roupa clara e traz folhas verdes sobre a cabeça, compondo uma referência ritualística. Ao fundo, destacam-se os degraus, o corrimão e os elementos arquitetônicos clássicos, que reforçam o caráter solene e simbólico da cena.
Performance Lavar a Roupa Suja da História, por Mariana Maia

Nos dias 11 e 12 de dezembro de 2025, o Centro Cultural Justiça Federal (CCJF), recebeu Raízes: Festival de Arte Sustentável Animista, evento gratuito que reuniu arte, saberes ancestrais e práticas sustentáveis. A programação ocupou tanto a área externa, na Rua Pedro Lessa, quanto espaços internos do CCJF, promovendo apresentações, oficinas, palestras e vivências culturais. Com classificação indicativa variada, o festival reafirmou o compromisso com acessibilidade e diversidade, criando um espaço de escuta, formação e celebração, conectando o público a expressões culturais que valorizam a relação entre ser humano e natureza. A iniciativa contou com patrocínio da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Rio de Janeiro (SECEC). 

Idealizado por artistas e pesquisadoras ligadas às culturas de matriz ancestral Allegra Ceccarelli, Lucia Tucuju, Jane Santos e Tatiana Henrique, o festival nasceu com a proposta de unir arte, educação e consciência ambiental. Como destacam as idealizadoras, “levar o Festival Raízes para a rua foi uma escolha política, estética e simbólica. A parceria com o Centro Cultural Justiça Federal (CCJF) e com a Banca do André, na rua Pedro Lessa, foi fundamental para que o festival se tornasse único, vivo e acessível, transformando o espaço urbano em território de encontro, escuta e pertencimento”. A parceria com o CCJF e com a Banca do André possibilitou integrar o evento à dinâmica do centro da cidade, aproximando diferentes públicos das atividades. “A arte pulsou em diálogo constante entre diferentes linguagens, saberes e ancestralidades”, disseram. O festival reuniu 33 artistas e 28 expositores, além de feira de artesanato e gastronomia de matrizes culturais diversas, gerando renda e valorizando tradições. A organização do evento priorizou trabalhos voltados à sustentabilidade e à preservação dos saberes ancestrais.

No dia 11, o palco externo recebeu contações de histórias, performances, oficinas de dança e espetáculos teatrais que abordaram memória, identidade e espiritualidade. Os destaques foram as apresentações Lavar a Roupa Suja da História, por Mariana Maia, e Lagoa de Nanã, por Luanda Francisco, que aconteceram no hall de entrada do CCJF. O primeiro dia concentrou atividades sobre literatura indígena, saúde mental e práticas artísticas sustentáveis. Criação simbólica de máscaras, bate-papos e contações de histórias ampliaram o debate sobre memória e pertencimento, essas ações reforçaram o caráter pedagógico do festival e estimularam a participação dos visitantes. O encerramento do dia ficou por conta de Dauá Puri, com cantos tradicionais em língua indígena e instrumentos feitos de materiais naturais. 

No dia 12, a programação externa manteve a diversidade de expressões, com palestras, slam de poesia, performances e apresentações musicais ligadas às culturas afro-brasileiras e indígenas. Oficinas de dança e shows como Cantos Ancestrais e YÈLÉ SIRÀ celebraram espiritualidade, resistência e representatividade. Nos espaços internos, palestras, contações de histórias e oficinas abordaram ancestralidade indígena, autoestima da mulher negra e símbolos africanos na arquitetura da cidade. A circulação entre arte, feira e gastronomia reafirmou o festival como experiência cultural ampla e sensorial. 

Ao final dos dois dias, o Festival Raízes se firmou como um espaço de encontro entre culturas, gerações e territórios, articulando arte, formação e consciência ambiental. “Foram dois dias que, sem dúvida, entraram para a história — um verdadeiro encontro de culturas, afetos e saberes”, resume a equipe organizadora. O evento deixou como legado o fortalecimento de redes culturais e a valorização de tradições que muitas vezes não têm voz. Também ampliou o debate sobre sustentabilidade e diversidade no campo das artes. O Raízes reafirma, assim, a potência da cultura como ferramenta de memória, transformação e pertencimento coletivo.