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Fotografia histórica em tom sépia do centro do Rio de Janeiro no início do século XX. A imagem mostra uma ampla avenida recém-urbanizada, com calçadas largas e poucas pessoas caminhando ou atravessando a via. À direita, destaca-se um grande edifício de arquitetura eclética, com cúpula e detalhes ornamentais, típico do período. À esquerda, uma sequência de prédios comerciais acompanha o traçado da avenida. A cena transmite a ideia de modernização urbana e transformação da cidade.
Arquivo de áudio

No início do século XX, estávamos vivendo a época da Belle Époque, um período em que o luxo e a beleza estavam em alta. A ideia da reforma urbana do Rio de Janeiro era transformar o Rio em uma espécie de Paris brasileira. Pereira Passos foi nomeado para conduzir a reforma urbana, com plenos poderes para derrubar o que fosse preciso, para sanear, organizar e embelezar a cidade. A ideia era deixar para trás o passado colonial da cidade.

A partir de 1904, a cidade do Rio de Janeiro passou por uma grande mudança. O porto, onde hoje fica a Praça Mauá, foi modernizado e conectado à Avenida Beira-Mar, que ia até o bairro da Glória, que estava crescendo bastante naquela época. Assim, surgiu a Avenida Central, uma rua larga, pavimentada e arborizada, que ligava o porto, na Praça Mauá, à Cinelândia, uma grande praça reunindo a Biblioteca Nacional, o Teatro Municipal e o atual Museu Nacional de Belas Artes. A partir de 1912, a Avenida Central passou a ser chamada de Avenida Rio Branco.

A reforma urbana do Rio de Janeiro ainda hoje desperta muita controvérsia. A exemplo do que aconteceu com Paris, a reforma Pereira Passos foi realizada em áreas densamente povoadas por pessoas de baixa renda, que foram desalojadas com a demolição de suas moradias, e tiveram seus modos de vida profundamente transformados. Durante a reforma, que ficou conhecida como Bota-Abaixo, vários cortiços e habitações populares do centro foram derrubados. Mas seus moradores não receberam apoio necessário para se realocar. Sem alternativas oferecidas pelo poder público, essas pessoas buscaram outras formas de moradia, e foi justamente nesse contexto que o Morro da Providência, considerada a primeira favela do Rio, cresceu significativamente.

Você sabia que os primeiros moradores do Morro da Providência foram ex-combatentes recrutados para lutar na Guerra de Canudos? A partir de 1897, com o fim do conflito, ao retornarem para o Rio de Janeiro, os soldados não receberam a assistência que o governo havia prometido. Sem alternativas, passaram a ocupar de forma precária o atual Morro da Providência – então conhecido como Morro da Favela –, construindo barracos e casebres improvisados. O nome favela fazia referência a uma planta típica da região de Canudos, que também era encontrada naquele morro. Com o tempo, o termo passou a ser usado para designar esse tipo de ocupação urbana, marcada pela informalidade e pela ausência do Estado.