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Notícia

Nos 25 anos de história, Centro Cultural Justiça Federal homenageia Ellen Gracie, primeira presidente do Supremo Tribunal Federal, com Medalha de Mérito Cultural

Publicado em:
23/09/2026
Em um salão histórico e ornamentado, seis pessoas estão sentadas à mesa de um evento, diante de uma plateia. Ao fundo, há vitrais, esculturas, pinturas, bandeiras do Brasil e outras, além de detalhes dourados no teto e nas paredes. Um telão à esquerda exibe o logotipo do Centro Cultural Justiça Federal.

No dia 23 de setembro, na emblemática Sala de Sessões que foi sede do Supremo Tribunal Federal até 1960, o Centro Cultural Justiça Federal (CCJF) concedeu a Ellen Gracie Northfleet, presidente do STF no biênio 2006-2008 — primeira mulher a integrar a composição da Corte em mais de 100 anos de história —, Medalha e Certificado de Mérito Cultural do CCJF. A homenagem compõe a série de honrarias que o CCJF tem concedido, em comemoração aos 25 anos do Centro Cultural.

Na abertura da cerimônia, após a execução do hino nacional, o desembargador federal Theophilo Antônio Miguel Filho, diretor-geral do CCJF, cumprimentou todos os presentes e ressaltou a alegria e a honra de condecorar a ministra Ellen Gracie no jubileu de prata do CCJF. “Nestes 25 anos do Centro Cultural, nada mais justo do que reconhecer e agradecer a presença da querida ministra da nossa Suprema Corte — Corte que funcionou aqui por 51 anos — para que no dia de hoje possamos registrar e traçar um pouco da história já que a ministra Ellen Gracie é parte dessa história”, frisou.

Ao destacar a trajetória profissional da homenageada, Dr. Theophilo Miguel destacou a carreira da ministra como um capítulo da história do Direito brasileiro. “Em 2006, fez história ao se tornar a primeira mulher a presidir o Supremo Tribunal Federal — um feito que, até pouco tempo antes, parecia impensável. Mas a ministra Ellen Gracie não é apenas uma pioneira. É, sobretudo, uma guardiã da memória institucional do Judiciário brasileiro”, destacou o diretor-geral. Ele lembrou que foi durante a gestão dela na presidência do Supremo que se criou a Comissão Organizadora dos Festejos do Bicentenário do Judiciário Independente no Brasil — celebração que culminou, em março de 2008, no seminário "Juízes e Tribunais: Perspectivas da História da Justiça no Brasil", realizado no Centro Cultural, em parceria entre o STF, o Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF2) e o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro. “Ao receber essa medalha, receba também o reconhecimento de uma vida dedicada à Justiça, à história e à cultura de nosso país”, reforçou.

Outro fato convergente, que une Ellen Gracie e CCJF, foi destacado na cerimônia: em seu mandato à frente do STF, a ministra organizou a devolução ao CCJF do mobiliário original utilizado pela Suprema Corte quando a sede funcionava no Rio de Janeiro. A recomposição permitiu recriar a ambientação histórica do espaço, hoje aberta à visitação pública. Em 2006, para marcar a recuperação da Sala de Sessões, o STF realizou no local uma histórica sessão administrativa, restabelecendo simbolicamente a ligação entre a Suprema Corte e sua antiga sede carioca.

 

Três pessoas posam em um salão histórico. A mulher ao centro segura, com o homem à esquerda, uma placa de homenagem aberta, com certificado e medalha. O homem à direita sorri ao lado deles. Ao fundo, há uma tela de projeção, bandeiras do Brasil e de outros países, mobiliário de madeira escura e detalhes ornamentais. O piso é de madeira e há um tapete vermelho.
Da esquerda para direita, Dr. Theophilo Miguel Filho entrega Certificado de Mérito Cultural do CCJF à ministra Ellen Gracie (centro), acompanhados do desembargador federal Frederico Gueiros (à direita)

Emocionada, a ministra Ellen Grace agradeceu a homenagem concedida por uma Casa que por décadas foi o palco de importantes julgamentos, como o Habeas Corpus de Rui Barbosa e Olga Benário, um pilar da Justiça. Ela ainda destacou “a felicidade histórica” que a colocou na presidência do Supremo cuja posição deu a oportunidade de restituir ao Centro Cultural o mobiliário que foi fabricado especialmente para a Sala de Sessões e que, segundo a ministra, está sendo tão bem aproveitado “com uma restauração primorosa e uma manutenção perfeita ao longo desses 25 anos.” “É uma emoção muito grande para mim estar aqui hoje, recebendo essa medalha tão bonita e todo carinho de vocês, porque esse prédio tem realmente um significado muito especial (...) Os 50 anos em que o Supremo Tribunal Federal jurisdicionou a partir dessa Casa foram fundamentais para a história do Brasil. Aqui, se julgou as causas mais importantes daquela época, desde a Revolta da Vacina até a Revolta da Chibata, tudo passou no Supremo Tribunal Federal. É bom que nunca esqueçamos que daquela tribuna, Rui Barbosa construiu a teoria brasileira do Habeas Corpus. Cada vez que a vejo me emociono, vejo a construção do Direito de um país que é a coisa mais importante que há...é a defesa de um modo de ser, as regras que todos nós nos obrigamos a cumprir e é também a cultura que nós criamos ao longo do tempo”, ressaltou Ellen Gracie ao completar que “é essa cultura que valoriza os bons exemplos e o bom comportamento que precisamos cada vez mais, especialmente no momento que vivemos hoje, valorizar e tratar de transmitir aos nossos filhos e netos”.

A ilustre homenageada ainda fez questão de parabenizar todos os antigos diretores do Centro Cultural e a intensa atividade que se tem desenvolvido na Casa. “Certamente, o Centro do Rio de Janeiro, cidade que já foi capital de colônia, império, República, merece ter conservado essa memória e tradição. O prédio do antigo Supremo Tribunal Federal e, hoje, Centro Cultural da Justiça Federal marca essa nossa necessidade de cultivar o passado para merecermos um futuro melhor”, concluiu a ministra.

Compuseram a mesa de honra a primeira vice-presidente do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJRJ), desembargadora Suely Lopes Magalhães, representando o presidente da Corte e governador em exercício do Estado do Rio de Janeiro, desembargador Ricardo Couto de Castro; o corregedor-regional da Justiça Federal da 2ª Região, desembargador Federal Firly Nascimento Filho; o desembargador federal Guilherme Calmon Nogueira da Gama; o procurador-chefe da Procuradoria Regional da República da 2ª Região, Leonardo Cardoso de Freitas; e a presidente da Comissão Especial da Justiça Federal da OAB-RJ, Alessandra Lamha Carneiro.
 

Oito pessoas posam lado a lado em um salão histórico, sobre um tapete vermelho. Ao fundo, destacam-se um teto ricamente ornamentado, vitrais, painéis decorativos, portas de madeira, bandeiras e o logotipo do Centro Cultural Justiça Federal em uma tela. As pessoas usam roupas sociais, e uma delas, ao centro, veste blazer escuro e calça azul-clara.
Alessandra Lamha Carneiro, desembargadores federais Firly Nascimento Filho e Frederico Gueiros, ministra Ellen Gracie, desembargador federal Theophilo Miguel, desembargadoras Ana Cristina Nascif Dib Miguel e Suely Lopes Magalhães, desembargador federal Guilherme Calmon, e procurador da República Leonardo Cardoso de Freitas