Pular para o conteúdo principal
NewsletterLogomarca VITRAL CULTURAL

Entre França e Brasil, a harpa ganha novos contornos na Sala de Sessões do CCJF 

Publicado em:
10/09/2026
Harpista se apresenta na Sala de Sessões do CCJF. Sentada diante de uma grande harpa de madeira, ela toca o instrumento com as duas mãos, com uma partitura à frente e um microfone posicionado ao lado. O piso de madeira, o tapete vermelho e o mobiliário histórico da sala aparecem ao redor.

No dia 28 de agosto, a harpa foi a protagonista  na Sala de Sessões do Centro Cultural Justiça Federal (CCJF) em uma apresentação que propôs um novo olhar sobre esse imponente instrumento musical. Em Nada sobre Harpa, a harpista francesa Léa Mesnil reuniu obras de diferentes épocas e estilos para criar uma ponte musical entre França e Brasil, aproximando repertórios clássicos e populares em uma mesma noite.

O espetáculo passou por compositores como Debussy, Satie, Alberto Nepomuceno e Ernesto Nazareth, mas também abriu espaço para expoentes da música contemporânea, como Rita Lee, Gilberto Gil, João Donato, Chico Buarque e Dorival Caymmi. O repertório ainda trouxe “Voyage, Voyage”, de Desireless, levando para a harpa uma das canções mais conhecidas da música popular francesa. Foi justamente nessa mistura que o concerto encontrou sua identidade: obras tão diferentes entre si acabaram se conectando de maneiras inesperadas.

A escolha das peças também mostrou o quanto a harpa pode ir além do lugar que tradicionalmente ocupa na música clássica. Ao longo da apresentação, diferentes linguagens se encontraram, colocando lado a lado tradição e contemporaneidade, referências brasileiras e francesas. A proposta de Léa foi explorar essas possibilidades sem se prender a fronteiras rígidas entre estilos.

Mais do que reunir músicas de origens distintas, Nada sobre Harpa construiu um diálogo entre culturas. França e Brasil apareceram tanto nas obras escolhidas quanto na própria maneira de organizar o espetáculo, aproximando universos musicais que, em um primeiro momento, poderiam parecer distantes. O resultado foi uma apresentação marcada pela diversidade e pela liberdade de experimentar novos caminhos para o instrumento.

A relação entre a artista e o público também fez parte dessa experiência. Léa destacou o envolvimento das pessoas que estiveram presentes e a atmosfera de escuta e troca criada durante o concerto. Para a harpista, essa proximidade tornou a apresentação ainda mais especial. “Foi uma experiência muito especial me apresentar neste espaço”, contou Léa. A artista também ressaltou o trabalho da equipe do CCJF, especialmente de comunicação, destacando os materiais de divulgação, a identidade visual e o cartaz, que, segundo ela, contribuíram para valorizar o concerto. Ao longo do processo, Léa destacou ainda a atenção, a disponibilidade e a agilidade da equipe do Centro Cultural, especialmente no dia da apresentação.

Ao final, Nada sobre Harpa fez jus ao próprio título ao deixar espaço para o inesperado. Entre o clássico e o popular, a tradição e a contemporaneidade, França e Brasil, Léa Mesnil mostrou diferentes possibilidades para um mesmo instrumento. Uma apresentação que ampliou a forma de ouvir a harpa — e, junto com ela, de perceber a própria música.