facilitadora
Nicole Ayres
(pesquisadora)
Gratuito
maiores 18 anos
Sinopse
A palavra “sadismo” hoje é conhecida como o ato de sentir prazer com a dor alheia. Mas de onde vem esse conceito? Da literatura do Marquês de Sade, um autor extremamente polêmico pela violência explícita de suas obras.
Nos livros do escritor francês do século XVIII, somos apresentados, através das figuras dos libertinos, a uma “filosofia do mal”, que justifica todos os tipos de perversão e crime, do estupro e do roubo à tortura e ao assassinato, pelas “leis da natureza”. Para os libertinos, tudo é válido em nome da excitação dos sentidos, portanto a liberdade é irrestrita e deve prevalecer a lei do mais forte.
Desse modo, Sade estimula a reflexão sobre a capacidade humana em causar o mal, nos seus graus mais extremos. Por seu conteúdo violento e cruel, excessivo em matéria de gozo e sangue, a obra sadiana se aproxima do gênero do terror, pois pode provocar o efeito de medo no leitor, ainda que este seja acompanhado de outros efeitos, como o do riso, pelos exageros caricaturais. Também é possível relacionar os escritos de Sade ao gótico, pelos cenários isolados e tenebrosos e pela presença de figuras monstruosas, e à pornografia, pela descrição crua das relações sexuais intensas e violentas.
Assim, neste evento, Nicole Ayres apresenta recortes de sua pesquisa no mestrado e no doutorado, com foco em: conceituar o sadismo, como psicopatologia e como construção literária; apresentar a filosofia perversa e sedutora dos libertinos sadianos; relacionar a obra de Sade ao terror, ao gótico e à pornografia; discutir sobre o “medo artístico” e um possível “sadismo do leitor”.
Serão abordados os livros: Os 120 dias de Sodoma, A filosofia na alcova e Justine, e os teóricos: Júlio França, Richard von Krafft-Ebing, Noël Carroll, Jeffrey Jerome Cohen, Simone de Beauvoir e Eliane Robert de Moraes.
Ao final, haverá um debate e sorteio de livros.
Programação
O conceito de sadismo
Definido clinicamente pelo psiquiatra alemão Richard von Krafft-Ebing, defendido literariamente pela escritora Simone de Beauvoir.
A filosofia libertina
Como os personagens sadianos, denominados libertinos, pregam uma moral às avessas, uma filosofia do mal absoluto, discurso tão aterrorizante quanto sedutor.
Sadismo, sexualidade, religiosidade e criminalidade
A liberdade sexual irrestrita, a crítica ao clero e a naturalização do crime em Sade.
A monstruosidade na literatura
Como nos lembra o professor de literatura e teórico estadunidense Jeffrey Jerome Cohen*, o monstro humano é utilizado na literatura como alerta para a existência de fissuras sociais, algo que não está funcionando bem. O que o monstro sádico diz sobre a sociedade ocidental daquela época (século XVIII) e o que permanece ou muda hoje em dia.
O medo artístico e o sadismo do leitor
O conceito de “medo artístico”, do Prof. Dr. Júlio França, da UERJ, estudioso da “literatura do medo” e do gótico, nos ajuda a entender por que as pessoas sentem prazer ao ler obras de estética negativa (terror, horror, gótico). Questão final: seria o próprio leitor um sádico, ao sentir prazer lendo cenas de violência, por saber se tratar de ficção?
Espaço para os participantes interagirem com perguntas e reflexões sobre o tema.
Minibiografia
Nicole Ayres é professora de francês, escritora e pesquisadora. Tem formação em Letras português/francês pela UERJ, com Especialização em Literatura Brasileira e mestrado em Teoria da Literatura e Literatura Comparada pela mesma instituição. Atualmente, é doutoranda em Literatura Comparada pela UFF. Sua dissertação de mestrado se intitula O monstro sádico em Os 120 dias de Sodoma, com orientação do Prof. Dr. Júlio França.
Seu projeto de pesquisa do doutorado é uma análise comparativa das obras Justine, do Marquês de Sade, e Psicopata Americano, de Bret Easton Ellis, com foco na construção de personagens sádicos, psicopatas e serial killers. É orientada pelos Profs. Drs. Carla Portilho e Vitor Amaral. Como escritora, Nicole tem publicados os livros Dançando na Varanda e Cuidado! Frágil!.
Participou do evento Literatura Feminina e Saúde Mental, no CCJF, com as escritoras Beatriz Ras e Carolina Pessoa, de muito sucesso.