O silenciamento da mulher na obra de Clarice Lispector
roda de conversa
facilitadora
Maria de Oliveira
diretora da Divisão de Cultura do CCJF
Gratuito
maiores de 16 anos
Sinopse
O papel submisso e silencioso da mulher sempre esteve presente na literatura. Nem sempre como manual de comportamento a ser seguido, mas, muitas vezes, como denúncia velada, já que a insubmissão e a resistência às regras eram severamente punidas.
Em pleno século XXI, esperava-se que a sociedade já tivesse compreendido, aceitado e valorizado o papel e a importância da mulher.
No entanto, o que vemos hoje é um recrudescimento paulatino e constante de episódios brutais de violência – física, vicária, emocional, financeira... -, de esvaziamento social e rebaixamento da mulher enquanto corpo material, mental, espiritual, profissional.
Neste momento, a Literatura reafirma-se como instrumento de conscientização por meio do saber e da expressão artística. Atuando na reflexão, no diálogo e na denúncia da violência contra as mulheres, a arte e o livre acesso à informação tornam-se atos de resistência.
Nessa roda de conversa, será debatida a Literatura e seu entrelaçamento com casos reais de silenciamento, hostilidade social e violação de direitos contra a mulher. Será possível refletir sobre o papel do acesso à informação e da expressão artística como vias fundamentais de enfrentamento, rompimento e superação.
- O silenciamento da mulher e a obra de Clarice Lispector
- Escrita literária como subversão ao silenciamento e superação do medo;
- (Des)normalização do silêncio pelo acesso à informação;
- Como a estrutura (inclusive familiar) facilita a lei do silêncio – a culpa como instrumento de submissão e vergonha;
- Como a informação salva vidas;
- Leitura sugerida: https://biblioindexa.com.br/
Programação
• Apresentação dos palestrantes;
• Uma análise sobre como as personagens de Clarice transformam a mudez imposta em um espaço de resistência e autodescoberta profunda – Luiz Fernando Braga
- A literatura como meio de denúncia e superação pessoal depois da violência – Adriana Bodolay
• Roupa suja se lava em casa: a estrutura familiar e a manutenção do silêncio – Michelle Barreto
• A importância de divulgar o acesso à informação sobre enfrentamento à violência. – Brisa Pozzi
• Convidada especial: Ana Paula da rede A.M.I.G.A.S – Como a informação pode salvar vidas – um caso real
• Abertura para perguntas
• Sorteio de livro da autora Adriana Bodolay
Minibiografias
Anna Paula de Albuquerque Sales é presidente fundadora da Associação de Mulheres de Itaguaí Guerreiras e Articuladoras Sociais - A.M.I.G.A.S - @amigasitaguai. Mulher de origem caiçara, 56 anos, mãe solo de quatro filhos, sobrevivente a uma tentativa de feminicídio no ano de 2012. Feminista, defensora dos Direitos Humanos, Promotora Legal Popular (PLP), defensora popular da Baixada Fluminense (DPops Baixada), mediadora comunitária pelo Programa Justiça Cidadã, conselheira municipal pelos Direitos das Mulheres de Itaguaí, agente territorial de Economia Popular e Solidária do Programa Paul Singer. Educadora popular no Curso Escola Saberes Comunitários e no Projeto Estuda Comunidade. Palestrante nos seguintes temas: Direito das Mulheres, Violência doméstica, Violência de gênero, Igualdade de gênero, entre outros. Formação Acadêmica: bacharel em Direito e Licenciatura em Ciências Sociais - Pós-graduação em Direito Público - Pós-graduação em Direitos Humanos, Saúde e Racismo - Pós-graduação em Informação Científica e Tecnológica - mestre em Teologia e mestre em Relações Étnicos Raciais.
Adriana Bodolay é nascida em Belo Horizonte (MG), Adriana Bodolay é doutora em Linguística e professora no Curso de Letras da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri.
Embora seja uma estudiosa da linguagem, descobriu-se escritora quando o desejo de narrar sua própria história se revelou. Conciliando a vida de mulher e mãe, ela se vê hoje, antes de tudo, na escrita literária — e é assim que gosta de ser percebida.
Sob o pseudônimo de Anna Machado, publicou o lilvro Meu divã, uma autobiografia que aborda a complexidade da violência doméstica. A autora ressalta que não se trata de uma escrita terapêutica. A obra surgiu pela vontade de romper silêncios sobre relacionamentos abusivos. Com uma narrativa autêntica e profundamente emotiva, a contadora de histórias oferece aos leitores um espelho de sua jornada, mostrando a poderosa interconexão entre seus múltiplos papéis. Como ela mesma define: “Minha vontade é que outras possam se identificar com o que conto e se darem conta de que o problema da violência doméstica é mais comum do que a gente imagina”.
Brisa Pozzi de Sousa é professora no curso de graduação e mestrado em Biblioteconomia, na Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio). Coordenadora do projeto Biblio Indexa, que envolve a organização de informações sobre o enfrentamento à violência contra mulheres e meninas.
Luiz Fernando Braga é natural de Muriaé, na Zona da Mata mineira. Lá, graduou-se em Letras e iniciou sua trajetória no magistério. No final dos anos 90, mudou-se para Belo Horizonte, onde concluiu o Mestrado em Estudos Literários e o Doutorado em Literatura Comparada, pela Universidade Federal de Minas Gerais. Atualmente, reside em Niterói, Rio de Janeiro. É professor do COLUNI-UFF, unidade de Educação Básica da Universidade Federal Fluminense. É autor das narrativas de ficção Romance Hipocondríaco, Professor Dorothy, Freaky Prince, bem como da obra teórica Caio Fernando Abreu: Narrativa e Homoerotismo.
http://lattes.cnpq.br/6286571844810013
Michelle Barreto é psicanalista, atua há mais de 20 anos com gestão de pessoas, com trajetória construída na área comercial e em marketing, incluindo gestão de equipes e endomarketing. Tem formação em Marketing, Psicanálise, Comunicação e Desenvolvimento Humano. Atualmente é graduanda em Letras. Ao longo desse percurso, desenvolveu uma leitura consistente de comportamento, comunicação e dinâmica relacional, aprendendo a identificar padrões, antecipar movimentos e compreender o que não é dito nas relações.
Hoje, atua com escuta orientada pela psicanálise, comunicação assertiva e leitura de padrões de comportamento em contextos pessoais e profissionais.
Apoio
- UNIRIO Universidade Federal do Rio de Janeiro
- Universidade Federal do Vale do Jequitinhona e Mucuri
- Associação de Mulheres de Itaguaí Guerreiras e Articuladoras Sociais