mediadora
Rosane Nunes
Gratuito
maiores de 18 anos
Sinopse
O luto é uma experiência universal, mas que ganha contornos profundos e singulares quando atravessa a relação entre mães e filhos. Na literatura, esse sentimento deixa de ser um silêncio para se tornar palavra, imagem e conexão. Através de narrativas delicadas, os livros infantis surgem como pontes, oferecendo às crianças — e aos adultos ao seu redor — um vocabulário para nomear a ausência e acolher a saudade.
Neste bate-papo, as autoras Melina Galete e Regina de Jesus compartilham suas trajetórias de transformação da dor em arte. O encontro percorre os caminhos da escrita como ferramenta de elaboração e o papel fundamental da literatura em abordar a finitude com transparência e ternura. Uma conversa sobre como a vida se ressignifica quando o luto decide nos visitar, ensinando-nos que, mesmo na falta, é possível cultivar o amanhã.
Programação
- A Experiência do Luto: a trajetória pessoal das autoras e o momento em que a ausência deixa de ser silêncio para buscar a palavra.
- Temas Sensíveis na Infância: por que falar de morte com crianças?
- A importância de oferecer um vocabulário emocional para nomear a finitude com transparência e ternura.
- Estreias Literárias: o desafio de estrear na literatura infantojuvenil abordando a perda como tema central.
- Protagonistas e Tempestades: uma análise dos personagens centrais e as "tempestades emocionais" que atravessam as narrativas de Melina e Regina.
- A Ressignificação do Vazio: como a escrita e a arte funcionam como ferramentas de elaboração da dor materna.
- O Papel do Mediador diante de temas sensíveis: como os livros "Onde está a Poesia?" e "Pé de Amanhã" podem auxiliar pais e educadores para explicar as ausências.
- A Criança e a Finitude: como as crianças percebem a morte em comparação aos adultos? O luto como experiência natural versus o luto como tabu social.
- A Naturalidade da Criança: por que os mais novos falam da morte com mais leveza que os adultos? O que podemos aprender com a espontaneidade infantil.
- Lutos Proibidos: uma reflexão sobre as perdas que a sociedade tenta silenciar ou invisibilizar.
- Temas Fraturantes: por que chamar temas como morte, Alzheimer e violência de "fraturantes"?
- Biblioterapia e Arteterapia: o livro como ferramenta potente de saúde em contextos hospitalares e sociais (o exemplo do projeto Favela Compassiva Rocinha Vidigal).
- A Estética da Ausência: o papel das ilustrações e do "espaço em branco" como metáfora visual para a dor e o vazio.
- Memória de Leitura: um resgate das leituras de infância das autoras: o que era permitido ler sobre a morte no passado?
- O Futuro da Literatura Infantil: o papel social dos livros diante da crescente necessidade de humanizar temas complexos no Brasil contemporâneo.
Minibiografias
Melina Galete é niteroiense, apesar de ter nascido em outra cidade. Publicou alguns livros, no Brasil, em Portugal e na Argentina, entre eles, Nunca dei o nome de amor para os casos narrados aqui (Folheando, 2024); Desmemórias de uma aldeia (Bestiário, 2023); Poemas para pessoas que cruzam oceanos e não viajam (Cambucá, 2022); e Da verdadeira Índia (Jaguatirica, 2020). Em Portugal, fez mestrado em Línguas, Literaturas e Culturas na Universidade de Aveiro e doutorado em Literatura na Universidade de Évora. No Brasil, fez licenciatura em Letras na Universidade Federal Fluminense. É mediadora de um clube de poesia. Quando não está escrevendo, revisa livros de outros autores. Foi mãe solo atípica por dezoito anos e nunca deixará de ser. Onde está a Poesia? marca a sua estreia na literatura para a infância.
Regina de Fatima de Jesus é formada em Letras, com mestrado e doutorado em Educação. Por muitos anos, foi professora freireana na escola pública e aposentou-se como professora associada da Universidade do Estado do Rio de Janeito (Uerj). Em 2018, o seu filho, Miguel, foi diagnosticado com uma doença neurodegenerativa, vindo a falecer em 2021. Na sua tentativa de ressignificar o luto, Regina passou a caminhar à beira do rio Paraíba do Sul, onde foi acolhida pelas árvores e pelos pássaros. Passou também a bordar as folhas que encontrava caídas no chão, o que a levou a acreditar que “a arte cura”, como já dizia a psiquiatra Nise da Silveira. Atualmente, Regina cursa Arteterapia. Foi desse encontro entre o luto e a arte que nasceu o livro “Pé de Amanhã”, uma homenagem ao seu filho Miguel. Para acompanhar a autora, acesse: @olhar.ouvir.sentir e @bordandoemfolhas.
Rosane Nunes é graduada em Jornalismo pela PUC-Rio. No saudoso jornal Última Hora, foi apresentada ao dia a dia das notícias. Mais tarde, integrou a equipe de Comunicação e Editoração da Fundação Biblioteca Nacional e, dali, partiu para o mercado financeiro. Retornou à vida acadêmica, concluindo os cursos de pós-graduação em Gestão e Produção Editorial, pelo Núcleo de Estratégias e Políticas Editoriais (Nespe), e em Formação do Escritor, pela PUC-Rio. Também é mestre em Edição de Texto pela Universidade Nova de Lisboa. Em 2018, fundou a Cambucá, uma editora brasileira, com sede no Rio de Janeiro, conhecida por publicar obras literárias, com foco em poesia, contos, crônicas, romances, livros para infância e outros gêneros.
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