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Filipa levou diversidade e resistência ao palco do CCJF ao revisitar a história de Filipa de Sousa 

Publicado em:
10/07/2026
Cena do espetáculo Filipa, no Teatro do Centro Cultural Justiça Federal. A atriz Waleska Arêas aparece diante de fundo escuro segurando um carretel de linha vermelha. Com os braços abertos, ela mantém o fio esticado entre as mãos enquanto dirige o olhar para um dos lados, com expressão reflexiva. Veste blusa marrom e lenço em tom bege, e a iluminação concentra a atenção na atriz e na linha vermelha, elemento central da composição.

Entre os dias 5 e 28 de junho, o Teatro do Centro Cultural Justiça Federal (CCJF) recebeu o espetáculo Filipa, protagonizado por Waleska Arêas e dirigido por Maria Clara Guim. Integrando a programação do III Festival Identidade em Cena, a peça trouxe ao palco a história de Filipa de Sousa, mulher perseguida pela Inquisição Portuguesa no século XVI e hoje reconhecida como um dos principais símbolos da luta pela visibilidade lésbica e contra a LGBTfobia.

Apresentado durante o Mês do Orgulho LGBTQIA+, o espetáculo dialogou diretamente com um período dedicado à valorização da diversidade e do respeito. Ao revisitar um episódio histórico marcado pela intolerância, a peça reforçou a importância de manter vivas narrativas que, por muito tempo, permaneceram invisibilizadas.

Em 1592, aos 35 anos, Filipa de Sousa foi acusada de manter relacionamentos amorosos e sexuais com diferentes mulheres da sociedade baiana. Julgada pelo Tribunal do Santo Ofício, foi condenada pelas chamadas "práticas nefandas", expressão utilizada pela Inquisição Portuguesa para designar relações entre mulheres. Presa, torturada, humilhada publicamente e condenada ao degredo, Filipa tornou-se uma das primeiras figuras documentadas da perseguição motivada pela orientação sexual no Brasil.

Em cena, a atriz Waleska Arêas conduziu o público por essa trajetória enquanto construía, pouco a pouco, o próprio cenário com barbantes vermelhos que acompanhavam o desenrolar da narrativa e contribuíam para aproximar o espectador da história.

A cenografia, por sinal, foi marcada por uma composição visual simples e esteticamente elegante. Os elementos do cenário dialogavam com a narrativa e ajudavam a criar uma atmosfera sensível, potencializando a força dramática da obra sem desviar o foco da protagonista.

Durante a temporada no CCJF, Filipa destacou-se pela maneira como transformou um episódio histórico em uma reflexão sobre o presente. A narrativa estabeleceu conexões entre o passado e os debates atuais sobre direitos e diversidade, evidenciando como a arte pode contribuir para preservar histórias frequentemente silenciadas.

De acordo com o espectador Lucas de Melo, a peça despertou diferentes sentimentos ao longo da apresentação. Ele destacou a importância de resgatar histórias como a de Filipa para ampliar a conscientização da população e contribuir para a desconstrução de ideias distorcidas sobre diversidade. Além disso, Lucas afirmou ter se encantado com a cenografia do espetáculo. “O que achei mais interessante foi a construção do cenário com barbantes vermelhos enquanto a atriz protagoniza o espetáculo. Gostei do minimalismo e da estética dos demais elementos do cenário também.”

Com a última apresentação, dia 28 de junho, Filipa encerrou a temporada no CCJF reafirmando a importância de preservar histórias desconhecidas pela maior parte da população e promover reflexões sobre diversidade, direitos humanos e liberdade por meio da arte. É sempre necessário evidenciar e colocar em discussão a máxima de que todas as pessoas merecem ser respeitadas e ter seus espaços ocupados, independentemente de sua orientação sexual.

Foto: @filipanoteatro