
Sons, luzes, troca e cura: show imersivo “Múltipla” vai além da experiência musical
Ao conceber o show Múltipla, Helô Tenório, cantora, compositora, pianista e diretora musical, preparou um convite artístico e sensível — baseado na ideia de que cada um pudesse se reconhecer em sua própria complexidade e verdade. O espetáculo, que propõe uma experiência sensorial e imersiva a partir da vivência plural da mulher contemporânea, marca a transição da carreira da artista ao trazer uma nova concepção de show: nela, o público tem um papel ativo e relevante no ambiente ao se tornar o verdadeiro protagonista da cena. E isso foi visto, sentido e presenciado pelos espectadores no último dia 8 de outubro, no Teatro do Centro Cultural Justiça Federal (CCJF). “Múltipla é resultado de uma investigação minha de muitos anos de uma nova proposta de espetáculo. A interação é feita desde o momento em que público entra no teatro, pois ele já faz parte do espetáculo. Ele é o show. Na entrada, tem uns sons acontecendo, que são tracks que eu gravo do show, e um diálogo grande com as luzes, a partir de um estudo que fiz sobre cromoterapia. Então, é como se, ao mesmo tempo em que o público está participando, ele também está recebendo (energia), é um momento de troca, de cura”, conta Helô.
Acompanhada por um sexteto instrumental — Ed Sousa (baixo), Sérgio Vieira (bateria), Robertinho de Paula (violão/guitarra), Thalyssom Rodrigues (teclados/piano), Felipe Cotta (percussão) e Zé Maria (flauta) — com timbres que evocam uma estética orquestral, Helô conduz o público por uma jornada de autoconhecimento, cura e reconexão com a essência. A simbologia das cores e a exploração modal da música orientam a experiência emocional do espetáculo, inspirada nas tradições ancestrais e em cenários mágicos e naturais. No repertório,19 canções autorais, entre elas Raiz Sagrada (Helô Tenório e Márcia Vasquez), Impassível (Helô Tenório) e Ode ao Carnaval (Helô Tenório). “Trabalho muito com música popular...trabalhei anos com jazz, rock, música clássica, então eu tento sintetizar musicalmente essas coisas dentro da minha identidade artística e tem um pouco disso tudo misturado no show. Eu tive a honra de ter seis músicos no show que eu admiro muito, que dividiram comigo esses arranjos que eu escrevi”, ressalta a artista.
Sobre a importância da existência de espaços culturais como o CCJF, localizado no coração do Centro do Rio de Janeiro, que incentivam a arte independente e local, Helô diz ser fundamental já que “o artista precisa desses ambientes para poder existir". “No Rio de Janeiro, nós lidamos com muitas dificuldades estruturais e eu vejo muitos artistas que não tem acesso a esse tipo de aparato e acabam não conseguindo ‘dar cabo’ da criatividade deles e isso vai morrendo, mas isso não pode acontecer. Que tenhamos mais espaços como esse para fazer esse movimento multiplicar, que inclusive é um dos pilares do meu trabalho: mostrar para as pessoas que precisamos multiplicar essas compreensões, tudo que podemos no sentido de transformar nossa realidade, o mundo que a gente vive”, torce Helô.